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Parada pede Estado laico e diretas já Um dos principais eventos de promoção da diversidade no mundo, Parada do Orgulho LGBT de São Paulo adotou tom político em sua 21ª edição

Publicação: 19/06/2017 03:00

Co tema “Independente de nossas crenças, nenhuma religião é lei”, a 21ª Parada do Orgulho LGBT lotou a Avenida Paulista e o percurso de 3,5 quilômetros que percorreu ontem em São Paulo. O evento, que contou com 19 trios elétricos, começou por volta das 13h, sob o comando da drag queen Tchaka, que convidou o público para uma contagem regressiva. Vestida de branco, a apresentadora e modelo Fernanda Lima, madrinha da  parada deste ano, disse estar feliz por representar a comunidade LGBT.

“O Estado é laico. A religião é uma opção individual de cada cidadão e não tem nada a ver com o direito civil, com o direito da sociedade como um todo. Vamos ser livres. Sejam o que quiserem, desde que estejam dentro da lei”, disse, entusiasmada.

As cantoras Daniela Mercury, Anitta, Lorena Simpson e Naiara Azevedo estiveram entre as principais atrações do evento, que terminou com com show no Vale do Anhangabaú. Segundo os organizadores, três milhões de pessoas participaram.

Os gritos de “Fora, Temer!” puderam ser ouvidos na parada, cujos organizadores pediram novas eleições presidenciais. “Queremos ‘diretas já’ para ontem”, afirmou Nelson Matias, sócio fundador da Associação da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros de São Paulo (Apoglbt), que organiza o evento.

Sempre presente ao evento, o vereador Eduardo Suplicy (PT) discursou. “É preciso que a prefeitura continue o programa Transcidadania (de transferência de renda e formação profissional), que levou condição de respeito a centenas de transexuais”, afirmou. O vice-prefeito Bruno Covas (PSDB), representante do prefeito João Doria (PSDB), que está em viagem ao Caribe pelo aniversário de 15 anos da filha, disse que era “a maior Parada do mundo” e que Prefeitura investiu R$ 1,4 milhão no evento.

A Parada do Orgulho LGBT  proporcionou uma tarde de carnaval em pleno junho.  “É uma festa, mas também é para levar a mensagem da tolerância, do respeito”, disse a professora Marta de Souza, 39, que levou o filho de cinco anos vestido com uma camiseta do filme Mulher-maravilha. Ele brincava com uma menina fantasia de princesa.

Morador de Niterói (RJ), Marco Antônio de Pereira Azevedo Júnior estava na parada pela terceira vez. “O tema deste ano foi maravilhoso. É um tema que se dirige a uma bancada religiosa que é reacionária, por isso a importância de se falar disso”.

Acompanhada do marido, a farmacêutica Elissa Beneguine foi pela primeira à parada. Ela disse que compareceu porque apoia a comunidade LGBT. “Sou uma pessoa que trabalha contra todo o tipo de discriminação”, afirmou.

Segundo levantamento feito pelo Observatório do Turismo na edição de 2016, o gasto médio individual dos visitantes na cidade foi de R$ 1.502,91. Já os paulistanos gastaram, em média, R$ 73,82 durante a parada. (Agência Brasil e Agência Estado)