BRASIL

A missão de colocar o bloco na rua Longe do luxo da Sapucaí, os 473 blocos oficiais do Rio de Janeiro mal conseguem pagar os custos

Leticia Bouyer
Agência France-Presse

Publicação: 10/02/2018 03:00

Eles arrastam multidões pelas ruas do Rio de Janeiro durante o carnaval, a qualquer hora do dia ou da noite. Mas apesar do sucesso, os 473 blocos oficiais da cidade lutam para conseguir recursos e pagar os custos da diversão. Formados por pessoas comuns, que no restante do ano são advogados, jornalistas, médicos, etc, os blocos simbolizam o lado democrático da festa mais popular da cidade. Antes mesmo dos quatro dias da folia oficial, os componentes, cariocas e turistas, capricham nas fantasias e se unem nesses cortejos musicais onde alegria e irreverência são quesitos obrigatórios.

A festa nas ruas não tem limite de participantes, nem cobrança de ingresso, ao contrário dos desfiles no sambódromo, onde o preço da entrada individual varia de R$ 10 a R$ 500. “A maioria começou como um encontro de amigos”, lembra Tiago Rodrigues, da Orquestra Voadora, que estreou em 2009 e hoje atrai 100 mil foliões. “No nosso caso, foram 15 músicos amadores que tocavam em vários cortejos e criaram uma banda. Com o sucesso dos ensaios de rua, vieram os shows. Em 2013, passamos a formar alunos para tocar com a gente, e a partir daí crescemos absurdamente”, conta Tiago.

Outro grande bloco que começou despretensioso foi o Quizomba, criado em 2001 por cinco amigos que tocavam no carnaval e decidiram abrir uma oficina de percussão. “A ideia era fazer um bloco com os nossos ritmos. Também foi uma forma de ajudar financeiramente os componentes”, lembra o diretor-geral, André Schmidt. “A partir do surgimento de alguns blocos com novas propostas musicais e suas oficinas, há cerca de 15 anos, houve uma explosão do carnaval de rua”, explica o produtor cultural Rodrigo Rezende.

O aumento do público gerou mais despesas para os organizadores, que recorrem a alternativas como o crowdfunding, financiamento coletivo pela internet que se tornou uma prática comum. Mas a principal forma de financiamento dos blocos vem de shows durante o ano, da mensalidade das oficinas de percussão e do patrocínio de empresas privadas.  “Todos são voluntários, dividimos as funções”, ressalta Tiago, da Voadora, cujo desfile tem um custo estimado em R$ 70 mil.

Dificuldade de captação
A Orquestra Voadora é um dos oito blocos que integram a Liga dos Amigos do Zé Pereira, e recebe um patrocínio privado que cobre metade dos custos. “A liga tem a expertise de usar a Lei de Incentivo do estado, o que facilita a negociação”, explica o presidente, Rodrigo Rezende. “O Rio tem um formato de carnaval que dificulta a nossa captação, porque a prefeitura ‘vende’ as ruas para gerar recursos”, explica.

Segundo a Riotur, 6,5 milhões de foliões devem brincar o carnaval na cidade em 2018, entre eles 1,5 milhão de turistas, que deverão movimentar R$ 3,5 bilhões. Os serviços pagos pela prefeitura, como banheiros, guarda e limpeza, totalizam R$ 16 milhões. “A prefeitura não pode, por lei, passar dinheiro diretamente aos organizadores”, explica o diretor de comunicação do órgão, Rodrigo Paiva.

O maior bloco da cidade, Cordão da Bola Preta, leva 1,5 milhão de foliões ao centro, ao custo de R$ 250 mil. Fundado há 100 anos por um grupo de boêmios, também enfrenta dificuldades. “Temos apoio logístico da prefeitura e do governo, mas financeiro, não”, diz seu presidente, Pedro Ernesto Marinho.

Sambódromo

Domingo

Império Serrano
São Clemente
Vila Isabel
Paraíso do Tuiuti
Grande Rio
Mangueira
Mocidade

Segunda-feira
Unidos da Tijuca
Portela
União da Ilha
Salgueiro
Imperatriz
Beija-Flor