ECONOMIA

Março negativo para mercado de trabalho Ao contrário de fevereiro, mês fez país registrar perda de 63.624 empregos com carteira assinada

Publicação: 21/04/2017 03:00

O Ministério do Trabalho informou ontem que foram perdidos 63.624 empregos com carteira assinada em março. O número reverte a melhora verificada em fevereiro, quando foi registrado saldo positivo de 35.712 vagas. Apesar de negativo, o número é melhor que o do mesmo mês do ano passado, quando foi registrada uma perda líquida (saldo entre admissões e demissões) de quase 118 mil postos de trabalho formais.

No primeiro trimestre, o saldo está negativo em 64.378 vagas, mas também é uma redução ante à perda de 303 mil vagas no primeiro trimestre de 2016. “Os números mostram que o Brasil reduz a perda de empregos”, disse o ministro Ronaldo Nogueira. Ele afirmou ainda que eles não representam uma frustração porque mostram uma redução das perdas ante o mesmo mês do ano passado. E justifica o resultado com o efeito sazonal negativo sobre o emprego em março, com demissões nos setores de hotéis e restaurantes por causa do fim das férias.

O governo havia comemorado o número positivo de fevereiro e usou o dado em comerciais para mostrar que a economia estava retomando. Os números do Caged geralmente são divulgados pelo Ministério do Trabalho sem entrevista à imprensa e na última semana de cada mês, mas no mês passado foram antecipados para serem anunciados pélo presidente Michel Temer, na busca por agenda positiva.

Nogueira disse que a comemoração não foi precipitada. “Não tinha como não comemorar depois de uma sequência de 22 meses de queda”, disse. O saldo do emprego formal entrou no terreno negativo em abril de 2015. “Em fevereiro tínhamos que comemorar e comemorar agora também o mês de março, são a metade dos números de 2016”, observou. “Claro que gostaria de estar anunciando a continuidade dos dados do mês de fevereiro. E espero que possamos analisar números positivos em março.”

Setores
O comércio foi o setor da economia que mais fechou postos de trabalho em março, de acordo com dados do Caged. No mês passado, houve saldo líquido negativo de 33.909 empregos nesse setor. Em seguida, o segmento de Serviços foi o segundo com a maior contribuição negativa: 17.086 postos em março. Segundo o Ministério do Trabalho, a construção civil também contribuiu negativamente, com 9.059 postos fechados.

Outros segmentos da economia que também tiveram fechamento de postos foram a indústria da transformação (-3.499 empregos) e agricultura (-3.471 postos). Por outro lado, a administração pública terminou março com abertura líquida de 4.574 postos de trabalho. (Da redação com AE)