ECONOMIA

CRISE ECONôMICA » Temer otimista com risco Brasil

Publicação: 12/08/2017 03:00

Prestes a anunciar o aumento do déficit fiscal de 2017 e 2018, o presidente Michel Temer disse ontem que o Brasil vai recuperar, “logo, logo”, seu grau de investimento. “Quando vejo que o risco Brasil, que estava em mais de 470 pontos negativos quando assumi o governo, hoje está em 195 pontos. Portanto, caiu significativamente e, logo, logo, nós vamos reassumir o grau de investimento que nós perdemos no passado”, disse Temer a uma plateia de empresários do agronegócio ao inaugurar uma usina de biodiesel em Lucas do Rio Verde, interior de Mato Grosso.

O risco Brasil no final da manhã dessa sexta, no entanto, estava em 206 pontos (CDS com vencimento em cinco anos), acima do que anunciou o presidente. Em setembro de 2015, a agência S&P tirou o selo de bom pagador do Brasil. Em dezembro do mesmo ano, a agência Fitch reduziu a nota do Brasil para um nível abaixo da categoria grau de investimento. A Moody’s retirou o grau de investimento do Brasil em fevereiro de 2016, uma semana após o segundo rebaixamento pela S&P. Na ocasião, a Moody’s reduziu a nota do país para dois níveis abaixo do grau de investimento.

O governo pretende ampliar o déficit deste ano de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões e, para o próximo ano, de R$ 129 bilhões para R$ 159 bilhões. Esses números já levam em conta a frustração de receitas com o Refis, que não deve avançar como o esperado no Congresso. O déficit fiscal é um dos principais fatores observados pelas agências para definir o risco para investimento em um país. Apesar desse cenário, Temer procurou manter o otimismo ao fazer um balanço da economia em seus 15 meses de governo. Dizendo-se “animado” e “com a alma incendiada”, ele mencionou a queda da inflação e da taxa Selic - que ele prevê que chegará a “7,5%, 7%” até o final do ano -, e disse aos ruralistas da plateia sentir ter o apoio do empresariado ao seu governo. “Ninguém, empresário, por mais ardoroso patriota que seja, é patriota, mas, naturalmente, investe em face das perspectivas do futuro. Ou seja, tem confiança. Ou seja, acredita no desenvolvimento do país. Ou seja, acredita no governo. E ter confiança significa apoiar o governo”, disse. (AE)