ECONOMIA

Reação a críticas contra a Chesf Ex-funcionários, diretores e engenheiros contestaram declarações feitas pelo ministro de Minas e Energia sobre a falta de preservação do Velho Chico

Cláudia Eloi
claudia.eloi@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 13/09/2017 03:00

O posicionamento crítico do ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho, ao afirmar que houve falta de investimento da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) na revitalização do Rio São Francisco ao longo dos 69 anos de sua existência, provocou uma reação imediata de engenheiros, ex-diretores e ex-funcionários da empresa contrários ao processo de privatização. Os especialistas ouvidos pelo Diario destacaram que o ministro deveria se informar antes de falar e que, justamente por fazer o trabalho de preservação e monitoramento do rio, a Chesf conseguiu impedir, na década de 70, uma catástrofe nas cidades de Juazeiro e Petrolina, essa última a terra natal de Fernando Bezerra Filho.

O engenheiro elétrico João Paulo Aguiar, um dos responsáveis pelas construções das barragens de Sobradinho e de Xingó, lembrou que em 1979 o reservatório de Sobradinho teve reduzida a vazão natural de 18 mil metros cúbicos por segundo para 15 mil metros cúbicos por segundo para impedir que as águas inundassem as duas cidades. “É preciso saber o que o ministro entende por revitalização. A Chesf tem mais que o dobro da idade dele e durante todo esse tempo se preocupou com a preservação do rio e com a qualidade da água até sua foz”, afirmou.

João Paulo também comentou sobre a decisão de Fernando Filho em desconsiderar a sugestão da Carta dos Governadores do Nordeste em relação ao plano de privatização do sistema Eletrobras. “O ministro é porta-voz de uma corrente que quer vender o patrimônio para tapar um rombo. É dinheiro para pagar o rombo”, condenou.

O ex-presidente da Chesf José Carlos de Miranda Farias também se posicionou em defesa da empresa, lembrando que a companhia implantou uma sementeira em Paulo Afonso e mais de 1 milhão de mudas nas margens do São Francisco para revitalizar o rio nos últimos anos. De acordo com ele, a Chesf faz o monitoramento da qualidade da água a partir da barragem de Sobradinho e esse trabalho é importante para levar água para o consumo de 3 milhões de pessoas, inclusive moradores de Aracaju (SE).

“A barragem de Sobradinho faz o controle das cheias e por duas vezes nas décadas (1980 e 1990) salvou a destruição do Vale do São Francisco. Cuidar da água é cuidar do rio. Monitorar a qualidade da água é condicionante para a licença ambiental da operação do reservatório que é da Chesf”, explicou.

Para o professor da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Antônio Feijó, o ministro deu mostra de que não entende nada de rio, de Chesf e nem de Nordeste. “O ministro deveria seguir o exemplo do tio-avô dele, Geraldo Coelho, que foi um dos pioneiros na construção da Usina de Paulo Afonso, e sabe da importância da Chesf para a região”, criticou.