ECONOMIA

Juros têm maior queda da história O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu, ontem, cortar a Selic em 0,5 ponto percentual e a taxa báscia fica em 7% ao ano

Publicação: 07/12/2017 03:00

Na última reunião do ano, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu, ontem, cortar a taxa básica Selic em 0,5 ponto percentual, para 7% ao ano, levando o juro básico a seu menor patamar histórico. Foi a décima redução seguida. A decisão, unânime, veio em linha com a expectativa dos 49 economistas ouvidos pela agência Bloomberg, que esperavam corte de 0,5 ponto percentual. Também ficou de acordo com os 7% estimados pelo Boletim Focus, do Banco Central.

A queda de 0,5 ponto percentual representou nova redução do ritmo de corte do BC - no encontro de outubro, a Selic tinha caído 0,75 ponto percentual. Desde abril, quando o juro caiu de 12,25% para 11,25% ao ano, o Copom vinha promovendo cortes de um ponto percentual. No comunicado divulgado após a decisão, o Copom indicou que uma nova redução da taxa básica de juros pode ser “adequada” caso o cenário econômico evolua conforme a expectativa do BC.

Segundo o BC, o comportamento da inflação permanece favorável, mas o banco avalia que há riscos, entre eles efeitos do choque favorável nos preços de alimentos e a frustração das expectativas sobre a aprovação das reformas. “O Comitê enfatiza que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira contribui para a queda da sua taxa de juros estrutural”, disse, em nota.

A queda de ontem  ocorreu em um cenário de inflação sob controle, mas diante de uma economia que ainda não demonstra sinais firmes de recuperação. O IPCA (índice oficial) de outubro deve avançar 0,42%, maior índice desde agosto de 2016, Ainda assim, a inflação em 12 meses acumula alta de 2,7%.

Novos reajustes de tarifas de energia e combustíveis e o fim da safra de alimentos devem manter, em novembro, a pressão sobre os preços. O centro de expectativa de analistas da Bloomberg é de alta de 0,35% (2,88% em 12 meses). Com isso, o indicador caminha para fechar o ano abaixo do centro da meta do Banco Central, que é de 4,5%.

A queda dos juros também deve ajudar a impulsionar a economia, após um terceiro trimestre de quase estabilidade. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,1% no terceiro trimestre e ficou praticamente estável em relação aos três meses imediatamente anteriores. Ainda assim, é o terceiro trimestre seguido de resultado positivo. O resultado veio um pouco abaixo do previsto pelos analistas, que esperavam uma alta de 0,3%. No entanto, o IBGE revisou o desempenho do PIB em trimestres anteriores, puxando para cima o resultado da economia no acumulado do ano.

O presidente da República, Michel Temer, divulgou em suas redes sociais vídeo em que comemora a decisão do Banco Central e a atribui ao governo. “Temos esta boa notícia fruto daquilo que o governo está fazendo ao longo do tempo e que é em benefício de você consumidor, que vive do trabalho, do cotidiano”, afirmou. “Vocês sabem que é a décima redução de juros no nosso governo, que tem um ano e meio”. (AE e Folhapress)