ECONOMIA

A vez do jovem empreendedor Representando quase 20% do total de empresários do país, iniciantes no mundo dos negócios não desperdiçam boas ideias

VITOR NASCIMENTO
vitor.nascimento@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 13/01/2018 03:00

É com boas ideias de negócios que jovens investem no empreendedorismo como forma de garantir um futuro seguro. Estimulados pelo meio em que vivem e até mesmo pelo alto nível de desemprego, eles aliam criatividade e inovação para garantir um lugar no mercado. No país, 19,7% dos brasileiros de 18 a 24 anos são considerados empreendedores iniciais, segundo pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2016, que foi conduzida pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), e teve apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

De acordo com Cláudia Azevedo, analista do Sebrae e gestora do projeto de educação empreendedora, o desemprego realmente deu um impulso maior aos negócios. “A rede de contato desses jovens  empreendedores aumenta, o nível de criatividade também, além da inovação e disposição que eles têm para investir em seu próprio negócio”, afirmou. Para Cláudia, quando os são sensibilizados a ter um contato maior com o empreendedorismo, eles passam a se enxergar como empresários.

A proprietária da DF Dress, Daniela Figueiredo, 25, começou a investir em seu negócio de aluguel de vestidos femininos para festas no início de 2016, logo após se formar em Engenharia Civíl. “A ideia surgiu da necessidade de preencher parte do meu tempo e ajustá-lo por conta do meu filho, que tinha acabado de nascer e me impossibilitou de estar atuando na minha área de formação”, disse Daniela.

Formalizada através do Instagram, a loja virtual contém fotos e vídeos de vestidos. “As clientes iam até a minha casa fazer as provas desses vestidos e, pelo fato de a demanda ter aumentado, tive que mudar a logística para não atrapalhar a privacidade das outras pessoas que moram comigo”, afirmou. Com investimento inicial de R$ 1 mil em vestidos de segunda mão, Daniela alugou um espaço físico para trabalhar.

Daniela partiu também para a chamada economia compartilhada. “Eu recebo das minhas amigas os vestidos delas, que são de boa qualidade, alugo e uma porcentagem desse aluguel fica com elas”, explicou. O modelo dispensou um investimento muito ato e ainda garantiu bom retorno.

Marketing
Outro jovem que está garantindo um futuro promissor através de práticas empreendedoras é Vinicius Galvão, 20 anos. Estudante de administração, ele fundou em abril a Citra Marketing , agência voltada a desenvolvimento de site, gestão de mídias sociais, links patrocinados e criação de landing pages (páginas mais específicas) para pequenas e médias empresas. Com um investimento inicial de R$ 500, Galvão fechou parceria com a primeira empresa só três meses após o início. “Sempre tive um espírito empreendedor, então eu quis começar. Tinha alguns conhecimentos básicos na área, e utilizando ferramentas de baixo custo mas com qualidade, comecei a levar o negócio para frente.”

Formalizado como Micro Empreendedor Individual (MEI), Vinicius conduz o seu negócio dentro de casa. “Preciso ter muito comprometimento para ter foco no meu trabalho e ser mais regrado”, acrescenta. A Cintra hoje conta com seis empresas cliente e expectativa de, até novembro de 2019, estar com um faturamento de R$ 15 mil.

Com a mesma determinação, o design Pedro Carvalho, 25, está tentando conquistar espaço com a sua empresa de assessoria digital, a Fcconect.net, aberta quando ele ainda tinha 23 anos e estava cursando Psicologia. “Eu já tive um pequeno negócio antes que não deu muito certo, mas tentei fazer diferente desta vez, separando os gastos da empresa dos gastos pessoais, para evitar os erros”, ressalta. Hoje, o seu dia a dia é de correria para que o negócio dê certo. “Ivesti, inicalmente, cerca de R$ 1 mil para colocar tudo no ar. Agora, ligo para as empresas oferecendo o meu projeto e espero que, por volta de março, eu já esteja lucrando.”

No Brasil

Jovens empreendedores

  • 71% do sexo masculino
  • 29% do sexo feminino
  • 18% de 21 a 25 anos
  • 35% com idade entre 26 e 30 anos
  • 28% de 31 a 35 anos
  • 42% com ensino superior
  • 39% pós-graduação
  • 12% com ensino médio;
  • 25% decidiram ser empresários por identificar oportunidade de negócio
  • 25% sempre quiseram ser empreendedores
  • 18% por querer mais independência
  • 63% tem apenas uma empresa
  • 25% têm duas
  • 7% três empresas
  • 3% mais de quatro
  • 2% possuem quatro
  • 51% dos jovens empreendedores possuem micro empresa
  • 20% de pequeno porte
  • 18% são MEI
  • 9% é média empresa
  • 1% com grande
  • Faturamento
  • 29% até R$ 60 mil
  • 31%  R$ 60 mil até R$ 360 mil
  • 29%  R$ 360 mil até  R$ 3,6 milhões
  • 10% R$ 3,6 milhões até R$ 48 milhões
  • 52% desejam abrir um novo negócio em um segmento diferente
  • 25% no mesmo segmento
  • 23% não pretendem abrir nova empresa;