ECONOMIA

Diario econômico

Rochelli Dantas - interina
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Publicação: 13/01/2018 03:00

Violência e tributos

Em todo o Brasil, o setor atacadista responde por 53,7% de tudo o que é movimentado no mercado nacional. O ano que se encerrou foi o décimo segundo ano consecutivo em que a participação do atacado distribuidor nesse mercado permaneceu superior a 50%. No estado, o ritmo é o mesmo mas, por aqui, o setor tem dois desafios pontuais: a questão tributária e a violência. São pontos que precisam de avanços imediatos. Os constantes roubos de cargas nas nossas estradas têm preocupado o segmento, que busca alternativas de não ficar sempre no prejuízo. No ano passado houve um aumento de pelo menos 60% no número de assaltos a caminhões nas rodovias estaduais. É um prejuízo alto e muitas vezes não recuperado, o que reflete diretamente nos negócios. Já no que diz respeito à tributação, o pleito é por uma simplificação dos impostos incidentes. A Associação Pernambucana de Atacadistas e Distribuidores (Aspa) encerrou recentemente o estudo da nova sistemática tributária para o setor atacadista. A ideia é oferecer um tratamento tributário para cada segmento do setor (bebidas, alimentos, higiene e limpeza, etc) considerando isonomia, capacidade contributiva e justiça fiscal.  Para elaboração do documento, foi criado um Comitê Jurídico e Tributário que detalhou as queixas e proposições dos empresários. O documento foi entregue à Secretaria da Fazenda do estado e a expectativa é de que haja um retorno sobre aprovação ou nova discussão ainda este mês. Pegando carona na retomada do crescimento, o setor quer engatar a marcha e pegar velocidade nas vendas. Mas, para crescer, não se pode deixar que o medo continue sendo um balizador. E que os tributos continuem pesando mais do que o necessário.

JOGO RÁPIDO

José Luiz Torres // presidente da Aspa/PE


O que o setor espera de 2018?
Apesar de termos um ano de Copa do Mundo, em que normalmente há um aquecimento nas vendas e circula mais dinheiro no mercado, não acreditamos que essa movimentação seja impactante no setor atacadista, pois a crise política que o país atravessa afeta de maneira intensa o desempenho econômico do Brasil. Para haver crescimento, o governo precisa avançar na agenda das reformas microeconômicas e melhorar o ambiente de negócios. Ainda assim, acreditamos que será melhor que 2017.

Qual o perfil do consumidor pernambucano?
É mais atento e exigente que o de tempos atrás. Um consumidor que busca melhores ofertas e oportunidades de descontos. E isso vale para todas as classes. O padrão de comportamento se assemelha.

Em Pernambuco, qual o principal desafio do setor?
A falta de segurança nas estradas e as condições em que elas se encontram têm sido uma preocupação constante e uma de nossas principais bandeiras de luta.

Que medidas podem ser tomadas para evitar roubos de cargas?
Já nos reunimos recentemente com o secretário de Defesa Social e com o chefe de Polícia Civil de Pernambuco. Ambos nos mostraram as dificuldades estruturais na área de Segurança Pública no estado. Entendemos essas dificuldades e reconhecemos o esforço do governo no combate à violência. Mas não podemos cruzar os braços e simplesmente aguardar por dias melhores. Vamos continuar cobrando. Queremos medidas eficazes, que possam minimizar de forma significativa os casos de roubo de cargas.

Os atacarejos vieram para ficar?
Acredito que estejam consolidados. Mas é bom frisar que as grandes redes de atacarejo são predadoras do varejo de vizinhança. E isso tem gerado desemprego, pois os clientes estão deixando de comprar no mercadinho da esquina para comprar no grande atacarejo, o que tem resultado na falência de lojas do varejo de bairro, afetando diretamente o nosso setor, responsável pelo abastecimento dessas lojas. Já o atacarejo local tem outro comportamento, porque compra diretamente dos atacadistas e distribuidores e mantém o lucro investido no estado.

Festa e produção
A cervejaria Ekäut está completando dois anos de operação. A comemoração será neste sábado com festa no Jardim Externo do Plaza Shopping. Em tempo, a marca anunciou recentemente que irá triplicar a produção, passando dos atuais 30 mil litros por mês para 90 mil litros por mês.

Agora é padaria
Com 30 anos de mercado, a  Sabor de Beijo, transformou sua unidade de Boa Viagem em Padaria. Com investimento de R$ 300 mil, a loja da Conselheiro Aguiar passa a oferecer aos clientes uma grande variedade de pães, bolos, biscoitos, tapiocas, torradas e bolachas; além de refeições.

Com alta de...
27% nas vendas e de 35% no faturamento, o Centro de Ensino Grau Técnico segue com plano de expansão. A meta é chegar a 35 unidades em operação no país. Hoje são 25 franqueadas.

Dívida com a União
Os termos da renegociação da dívida do estado com a União e com o BNDES, publicados no Diário Oficial da União, devem ser discutidos na Assembleia Legislativa do estado. O deputado Silvio Costa Filho promete convidar o secretário da Fazenda do estado, Marcelo Barros, a dar explicações.

Com prudência
A prudência é palavra de ordem para quem deseja investir em bitcoins. O alerta vem do presidente da CAAPE, Bruno Baptista, que lembra o caso da Holanda dos anos 1930, quando muitas pessoas venderam bens de valor para embarcar na promessa das tulipas. A dica é diversificar os recursos.