ECONOMIA

Nota de crédito do Brasil depende de ajuste fiscal Segundo ministro da Fazenda, as agências de rating aguardarão a aprovação de medidas fiscais

Publicação: 13/01/2018 03:00

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nessa sexta-feira, que as agências de rating aguardarão a aprovação de medidas fiscais para decidir sobre mudanças na nota de crédito brasileira. Em entrevista coletiva, Meirelles disse também que é “razoável” que as agências olhem para o que o próximo presidente fará em 2019 em termos de política fiscal.

Depois da S&P rebaixar a nota de crédito brasileira na quinta-feira, o ministro disse não discutir as “opiniões” da agência e que o país vai na direção certa. Meirelles disse ainda ter confiança de que os projetos importantes para o equilíbrio fiscal serão votados na retomada do Congresso Nacional, em fevereiro. O ministro citou projetos em andamento e afirmou que há várias questões na área microeconômica em gestação, como a reforma tributária e medidas visando ao aumento da produtividade.

“Essas medidas continuarão em andamento para chegar ao fim de 2018 com um crescimento bom. A primeira coisa é assegurar o crescimento, segunda, o equilíbrio fiscal de longo prazo e a capacidade de o País crescer mais e melhor”, completou. Meirelles reforçou que confia na aprovação também da reforma da Previdência. “Confio que lideranças do Congresso estão trabalhando juntos e continuarão nisso”, acrescentou.

O ministro citou a trajetória de aprovação de reformas importantes, como a trabalhista e do teto dos gasto e lembrou que houve grande ceticismo em relação à aprovação também desses projetos. Depois de o governo demorar a enviar projetos importantes para a área fiscal esperando a votação da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer pelo Legislativo, Meirelles disse ter certeza de que todas as medidas foram tomadas corretamente e que não intervém no envio dos projetos.

Pressão
Depois do rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência de classificação de risco S&P, o governo traçou a estratégia de usar a decisão para tentar convencer parlamentares a aprovar a reforma da Previdência. A medida é considerada fundamental para a sustentabilidade das contas públicas, e a demora em sua aprovação foi justamente um dos argumentos da agência para o corte da nota. Com o rebaixamento, o Brasil ficou três níveis abaixo do grau de investimento, que é como um selo de bom pagador, que indica que a região é segura para os investidores. As articulações políticas, no entanto, devem esbarrar no temor dos deputados de sofrerem nas urnas as consequências da aprovação da proposta de mudança na aposentadoria. (AE)