ECONOMIA

Diario econômico

por Bruna Siqueira Campos
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diariodepernambuco.com.br

Publicação: 10/02/2018 03:00

Vai pesar de algum lado

Uma proposta aprovada na última quarta-feira no Senado, que amplia exponencialmente o universo de micro e pequenas empresas desobrigadas de aderirem ao modelo de substituição tributária na cobrança do ICMS, promete balançar a Câmara dos Deputados após o fim do carnaval. Relatado na Casa Alta pelo senador Armando Monteiro (PTB-PE), o PLS 476/2017 passou quase unânime pelos senadores com a promessa de facilitar a vida de micro e pequenos empresários com receita bruta de até R$ 4,8 milhões/ano. Em vez de recolherem o imposto antecipadamente, poupando os demais elos da cadeia produtiva, tais empresas pagariam o ICMS nos moldes do Simples Nacional. Hoje, a regra de antecipar o tributo só não é válida para empreendedores que faturam até R$ 180 mil anuais. Quem defende a proposta explica que ela daria competitividade às MPEs - de acordo com o gabinete do senador pernambucano, serão 2 mil empresas beneficiadas no estado, caso o projeto saia do papel. No entanto, a avaliação do poder público é que a medida pode custar um preço alto para estados e municípios. Membros do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) já se comunicam a fim de colocar a pauta na mesa e calcular o prejuízo na arrecadação. A Secretaria da Fazenda em Pernambuco informou que vai levantar qual seria o impacto da proposta em âmbito local. Até o momento, a experiência de criar projetos sob medida, de substituição tributária, tem sido avaliada como positiva, uma espécie de artifício antisonegação. Caso dos polos de confecções e gesseiro, onde a cobrança do ICMS é concentrada na compra de insumos e a informalidade caiu entre os pequenos.

Custo Brasil
O projeto surgiu no grupo de trabalho de Reformas Microeconômicas, criado por iniciativa do presidente da CAE, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). A missão era identificar obstáculos vinculados ao Custo Brasil e sugerir medidas para estimular a atividade empreendedora no país.

Mão na roda
Quem deixou para comprar adereços e fantasias de última hora não precisará desviar a rota do Bairro do Recife. Está montado na Praça do Arsenal, ao lado do Paço do Frevo, o Polo do Artesanato, com peças de 32 artesãos. Uma iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento e Meio Ambiente do Recife.

Descartável, mas...
R$ 250
É o valor que ateliês de customização de abadás no Recife chegaram a cobrar por peça, neste ano. Não tem inflação abaixo do centro da meta do BC que iniba a ganância de alguns.

Virou franquia
A Oculum, de Thiago e Augusto Teixeira, adotou o franchising para crescer no Nordeste. Os sócios pretendem abrir cinco lojas até o fim deste ano, com investimento médio de R$ 1 milhão. A primeira franquia iniciou atividade em dezembro último, em Salvador. Em abril, será a vez de Maceió.

Nicho de mercado
A Led Light, de Anchieta Sátiro e Márcio Modesto, deu uma pausa nas formaturas para apostar com tudo nas festas carnavalescas. Foram mais de R$ 700 mil investidos em painéis de LED e iluminação, a fim de atender espaços como o Camarote Olinda, Galo Privilege e Não Acredito que Te Beijei.

JOGO RÁPIDO


Marcelo Medeiros // empresário - Tratos Camisetas Promocionais

A Tratos é uma empresa familiar que viu uma oportunidade de negócio com a fabricação de camisas de bloco e abadás. Em quanto a camarotização do carnaval tem sido positiva para as vendas?
As prévias são, hoje, o grande negócio da confecção de abadás. A gente deve chegar a algo em torno de 500 mil peças neste ano, possivelmente bater essa meta. Se somarmos o Olinda Beer com o Carvalheira na Ladeira, são mais de 100 mil. O nosso calendário de carnaval antecede em 50 dias o Galo da Madrugada.

A baixa nos patrocínios de blocos, no auge da crise, influenciou de alguma forma seu negócio?
Sem dúvida alguma, os carnavais de 2016 e 2017 não foram bons. Mas é na crise que se cria. Houve aumento de dias de evento nos camarotes, o Camarote Olinda aumentou um dia, o Carvalheira também. Estamos vivendo um ano político. Em todos os aspectos, há melhora. O Olinda Beer, que é a maior prévia carnavalesca do Brasil, teve uma melhora significativa. Crescemos em torno de 20%.

A customização de camisas virou um nicho rentável. Essa moda barateou o custo com acabamento?
Fui mentor também dessa ideia de customização, até lançamos o abadá sem costura. A gente mandava de 5% a 10% dos abadás só com frente e costas. Começamos a fazer in loco, levávamos nossas costureiras e máquinas para os eventos. Tivemos uma redução de custos entre aspas. Economizamos na fábrica, só que tem esse “plus”, que é a customização na entrega.

A linha de produção em Paulista já chegou a fabricar mais de 1,2 milhão de camisas, funcionando 24h direto. Qual o ritmo atual?
A gente está conseguindo atingir todas as metas e estamos mais bem preparados. As camisas oficiais do Galo foram entregues no final de novembro, porque eles tinham que partir para um canal de distribuição, as lojas do Extra. Saímos do Carnatal, em dezembro, já embalados. A camisa do Homem da Meia-Noite a gente entregou em outubro. Os blocos mais tradicionais, que não dependem tanto de patrocinador, encomendam com bastante antecedência. Trabalhamos 24h, a fábrica funcionou com 90% da capacidade. Agora, a nossa produção está encerrando com os blocos do interior, que saem na segunda e terça-feira de carnaval.