ECONOMIA

Donos de postos serão intimados para colaborar Polícia Civil vai convocar empresários que foram coagidos a entrar em suposto esquema de cartel

SÁVIO GABRIEL
savio.gabriel@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 17/05/2018 03:00

Donos de postos de combustíveis que não participavam do esquema de cartel descoberto pela Polícia Civil estão sendo intimados para prestar depoimentos e ajudar nas investigações da Operação Funil, deflagrada na segunda-feira. De acordo com o delegado Germano Bezerra, à frente das investigações, esses empresários chegaram a ser coagidos pelos três integrantes do Sindicato dos Donos de Postos de Combustíveis de Pernambuco (Sindicombustíveis-PE), que já estão presos, mas se recusaram a participar do crime.

“Esperamos que eles contribuam com a investigação policial, porque muitos eram coagidos, forçados a fazer parte desse intento criminoso e não concordaram, não faziam parte dessa ilicitude”, destacou o delegado, durante coletiva de imprensa realizada na manhã de ontem. No entanto, Germano Bezerra salientou que os proprietários dos 16 postos investigados na última segunda-feira participavam do esquema de forma conivente.

As investigações duraram aproximadamente dez meses. De acordo com o delegado, os acusados, identificados como Adson Bezerra da Silva, Cleobiano de Sales Rodrigues e Daniel Seabra Santos, que já estão presos, eram os responsáveis por organizar o alinhamento dos preços. “Os funcionários do sindicato deveriam exercer apenas o trabalho do setor de qualidade, indo aos postos para averiguar se estavam dentro da lei. No entanto, eles recebiam fotos de preços que estavam sendo praticados por outros postos e organizavam reuniões, almoços, onde era estabelecida a forma que o grupo regularia os preços”. No depoimento à polícia, os três negaram qualquer envolvimento e se consideraram vítimas, segundo o delegado.

O grau de envolvimento do presidente do Sindicombustíveis-PE, Alfredo Pinheiro, que é um dos investigados, permanece uma incógnita. Os três funcionários detidos trabalhavam diretamente com ele, segundo a polícia. Ao mesmo tempo em que afirmou que o presidente pode ter sido “completamente ludibriado por pessoas de sua mais alta confiança”, o delegado também não descartou a participação dele. “É até difícil cogitar a possibilidade de o presidente não ter conhecimento, porque as pessoas presas trabalhavam no dia a dia com ele”.

A partir das investigações e das informações colhidas, é possível que a Operação Funil tenha outros desdobramentos e novas prisões sejam realizadas. A Polícia Civil está trabalhando de maneira conjunta com a comarca de Vitória de Santo Antão do Ministério Público do estado. Na última segunda-feira, o presidente do Sindicombustíveis-PE já havia dado declaração à imprensa negando a prática de atos ilícitos. Procurado para repercutir à coletiva realizada ontem, ele não foi localizado até o fechamento desta edição.

Operação Funil

  • 16 postos de gasolina foram alvos de mandados de busca e apreensão comercial. Eles estão localizados em:
    1 - Recife (nos bairros da Madalena, Afogados, Pina, Rosarinho, Água Fria e Prado);
    2 - Jaboatão dos Guararapes
    3 -  Igarassu
    4 -  Moreno
    5 -  Pombos
    6 -  Paudalho
    7 -  Glória do Goitá
    8 -  Gravatá
  • 3 mandados de prisão preventiva
  • 10 mandados de busca e apreensão domiciliar