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Dezenas de mortos em incêndio Muitas das vítimas foram carbonizadas devido às chamas que atingiram uma floresta na região de Leira, próximo a Coimbra, em Portugal

Publicação: 19/06/2017 03:00

Um incêndio florestal deixou ao menos 61 mortos, muitos deles carbonizados no interior de seus veículos, e mais de 50 feridos em Portugal, onde, ontem, bombeiros lutavam contra as chamas. Cerca de 800 bombeiros e 250 veículos combateram o fogo na localidade de Pedrogão Grande, a 50 km de Coimbra, na região de Leira, e se estendeu por várias frentes.

Segundo um novo balanço anunciado pelo premier, Antônio Costa, a cifra de mortos foi corrigida de 62 para 61, porque uma vítima havia sido contabilizada duas vezes. “Mas certamente encontraremos mais vítimas”, assinalou o chefe de governo, emocionado, após uma visita ao local do incêndio.

O Itamaraty informou que não há registro de brasileiros entre as vítimas, mas ressaltou que o órgão e o Consulado-Geral em Lisboa estão à disposição para prestar informações e esclarecimentos aos cidadãos.

Muitas das vítimas ficaram presas no interior de seus carros quando circulavam por uma estrada próxima. “É difícil dizer se estavam fugindo do fogo ou se foram surpreendidas por ele”, segundo Gomes. No Vaticano, o papa Francisco expressou sua “proximidade com o querido povo português em função do devastador incêndio que arrasa as florestas (...) causando muitos mortos e feridos”.

O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, viajou à zona atingida para prestar suas condolências às famílias das vítimas, e “compartilhar sua dor, em nome de todos os portugueses”.

“Infelizmente, essa é, sem dúvida, a pior tragédia que conhecemos nesses últimos anos em termos de incêndios florestais”, reconheceu o primeiro-ministro português Antonio Costa, na sede da Defesa Civil. Dezenas de pessoas que fugiram de suas casas foram acolhidas pelos habitantes de uma localidade vizinha, Ansiao.

“Há pessoas que chegaram dizendo que não queriam morrer em sua casa, envoltas pelas chamas”, explicou à imprensa um dos moradores, Ricardo Tristao.

“Houve um momento muito tenso no povoado de Moninhos Cimeiros, onde várias moradias tiveram de ser evacuadas e, se não tivéssemos chegado lá, tudo teria virado fumaça”, explicou um bombeiro, Mario Maia.

“A prioridade é salvar as pessoas que possam continuar em perigo”, declarou o premiê Costa, visivelmente abalado.

Calor e tempestades

No sábado, um forte calor atingiu Portugal, com temperaturas que superaram os 40 graus em várias regiões.

Cerca de 60 incêndios florestais foram confirmados em todo o país durante a noite e cerca de 1.700 bombeiros foram mobilizados para combatê-los. Os incêndios podem ter sido provocados pela queda de raios em zonas onde ocorrem tempestades elétricas, explicou Costa.

O principal atingiu vários povoados e foram colocados em andamento planos de evacuação, acrescentou, sem detalhar números. (AFP)