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Um rastro de morte e destruição O Irã foi o país mais castigado pelo terremoto de domingo na fronteira com o Iraque, que deixou pelo menos 421 mortos e mais de 7.300 feridos

Publicação: 14/11/2017 03:00

Darbandikhan (AFP) - Nizar Abdullah passou a noite revirando os escombros da casa vizinha de dois andares na cidade montanhosa de Darbandikhan, no Curdistão iraquiano, depois que a região foi sacudida por um terremoto mortal. “Há oito pessoas dentro” da construção, explicou ontem Abdullah, um curdo-iraquiano, em frente à pilha de destroços de concreto onde antes se erguia a casa. Alguns familiares conseguiram escapar, mas “vizinhos e socorristas retiraram a mãe e um dos filhos mortos dos escombros”, contou o homem de 34 anos.
O terremoto de magnitude 7,3 atingiu a região da fronteira entre Irã e Iraque na noite de domingo, matando centenas de pessoas e ferindo outras milhares. O Irã foi mais castigado, com um balanço provisório de 421 mortos e mais de 7.300 feridos, todos na província ocidental de Karmanshah, fronteiriça com o Iraque, onde foram registrados 8 mortos e 336 feridos.
O sismo atingiu a região da fronteira, 30 km a sudoeste de Halabja, no Curdistão iraquiano, por volta das 21h20 locais (16h20 de Brasília), segundo o Serviço Geológico dos EUA. A maioria das pessoas estava em casa quando o terremoto ocorreu. “De repente a eletricidade foi embora e senti um forte tremor”, disse Loqman Hussein. “Imediatamente deixei minha casa com minha família”, acrescentou.
Akram Wali, de 50 anos, contou que muitas famílias em Darbandikhan buscavam abrigo com parentes fora da cidade. Eles fugiram enquanto autoridades no Curdistão iraquiano pediram à população na área sul da cidade a deixar suas casas, temendo que a represa de Darbandikhan pudesse se romper.
A represa, que perpassa o rio Diyala, situa-se na província de Sulaimaniyah, onde sete pessoas morreram, incluindo quatro em Darbandikhan. Outra pessoa morreu na província de Diyala. Autoridades da região de Darbandikhan, onde vivem 40 mil pessoas, disseram que a represa suportou a fúria do terremoto e não sofreu grandes rachaduras.
Taha Mohammed, de 65 anos, não atendeu aos chamados para deixar Darbandikhan, mesmo que o sismo tenha destruído quase completamente sua casa. “Nós fugimos e ninguém se feriu”, disse o homem, vestindo as tradicionais calças amplas dos curdos iraquianos, relatando suas bênçãos apesar da tragédia.