MUNDO

ENCONTRO » Ameaças não intimidam os EUA

Publicação: 17/05/2018 03:00

Washington (AFP) - O governo dos Estados Unidos mantém a esperança de que a reunião de cúpula prevista entre o líder norte-coreano, Kim Jong Un, e o presidente Donald Trump aconteça, apesar das ameaças de Pyongyang de cancelar o encontro. “Nada nos foi notificado, não ouvimos nada (...) Veremos o que vai acontecer”, indicou em um despacho o presidente Trump, que se absteve de utilizar o Twitter para comentar o assunto nas últimas 24 horas.

Em um retorno à tradicional retórica incendiária, após meses de aproximação diplomática, a Coreia do Norte afirmou ontem que o encontro histórico será cancelado se Washington continuar exigindo que o país abandone seu arsenal nuclear de modo unilateral.

Se o governo norte-americano “nos encurralar e nos pedir unilateralmente para abandonar nossas armas nucleares, não vamos ter qualquer interesse nas conversações e vamos ter que reconsiderar se aceitamos a futura cúpula entre Coreia do Norte e Estados Unidos”, declarou o vice-ministro das Relações Exteriores, Kim Kye Gwan, citado em um comunicado divulgado pela agência oficial KCNA.

Pyongyang também anunciou que cancelou as conversações de alto nível que estavam previstas entre seus representantes e os de Seul para esta quarta-feira, em consequência dos exercícios aéreos conjuntos entre Estados Unidos e Coreia do Sul.

“Ainda estamos esperançosos de que a reunião aconteça e vamos continuar neste caminho”, declarou a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, à Fox News. “Ao mesmo tempo... nos preparamos para que estas possam ser negociações duras”, completou. “O presidente está preparado se o encontro acontecer. E se não acontecer, vamos continuar com a campanha de máxima pressão que está em progresso”.

Nas últimas semanas, além da reunião de cúpula com o presidente sul-coreano na Zona Desmilitarizada que divide os dois países, Kim se reuniu duas vezes com o presidente chinês Xi Jinping e Pyongyang anunciou que vai desmantelar sua área de testes nucleares. Os analistas acreditam que agora Pyongyang tenta redefinir os termos do debate. “É uma tática diplomática”, explica Kim Hyun-wook, professor da Academia Nacional Diplomática da Coreia, que considera a estratégia uma “política de risco calculado”. “A clássica diplomacia da corda bamba entre Estados Unidos e China começou”, completou o analista.