OPINIÃO

EDITORIAL » Todos contra a gripe

Publicação: 21/04/2017 03:00

Uma simples gripe, tão comum nesta época do ano, pode evoluir para um quadro de complicações, internações e até mesmo óbito. Para acabar com essa ideia de que “é só uma gripe”, o Ministério da Saúde deu início à 19ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza e, este ano, professores da rede pública e privada passam a fazer parte do público-alvo. A ideia é imunizar 54,2 milhões de pessoas que integram os grupos prioritários e aumentar a cobertura vacinal em todo o país até 26 de maio. O Dia D de mobilização nacional será 13 de maio.

Sabe-se que a gripe é responsável pela maior parte de afastamentos no trabalho e pode trazer sérias consequências, principalmente para pessoas que estão dentro do grupo considerado de risco. Segundo o Ministério da Saúde, depois da pandemia de 2009, no ano passado foram registrados 12.174 casos de influenza de todos os tipos no Brasil. Desse total, 10.625 eram influenza A (H1N1), provocando 1.987 óbitos. Este ano, até 1º de abril, já foram contabilizados 276 casos de influenza em todo o país, sendo 21 deles H1N1 e gerando seis mortes. No mercado de trabalho, o índice de funcionários afastados por conta da influenza é alto. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Saúde, divulgados em 2015, apontam que 17,8% dos brasileiros se ausentaram do local de trabalho, o que indica um impacto significativo nos custos das empresas e do setor de saúde.

Estudos apresentados pelo Ministério da Saúde no lançamento da campanha de imunização apontam que a vacinação pode reduzir entre 32% e 45% o número de hospitalizações por pneumonias e de 39% a 75% a mortalidade por complicações da influenza. Portanto, a cobertura vacinal é de extrema importância para reduzir esses números. Além da imunização, é fundamental a adoção de medidas simples, mas eficazes contra a gripe, que devem ser adotadas em casa, na escola e no trabalho, como lavar as mãos várias vezes ao dia, cobrir o nariz e a boca ao tossir e espirrar, evitar ambientes fechados e com aglomeração de pessoas e não compartilhar objetos de uso pessoal.

Não há dúvidas de que a vacina contra a gripe é a melhor forma de se proteger, principalmente crianças de seis meses até 5 anos, idosos, gestantes, trabalhadores da saúde e pessoas com doenças crônicas. No entanto, a imunização, disponível nos postos de saúde apenas para grupos de risco, deveria ser ampliada para um universo ainda maior diante das perdas que o país tem com hospitalização, tratamento e afastamento do trabalho. Tendo em vista o poder de transmissão da doença, é preciso ter em mente que a imunização é a intervenção mais importante na proteção contra a influenza, seja qual for a faixa etária, para garantir uma completa cobertura e evitar complicações que muitas vezes evoluem para o óbito. Afinal, a vida não tem preço.