OPINIÃO

Lembrando o dia 16 no calendário de agosto

Marly Mota
Membro da Academia Pernambucana de Letras e membro da Academia de Artes e Letras de Pernambuco

Publicação: 12/08/2017 03:00

Na sala, na mira afetiva, a cômoda de jacarandá que pertencera a Tereza Alexandrina da Motta e Albuquerque, avó carinhosa que Mauro Mota soube, com reverência, guardá-la no Soneto muito Passadista da Ponte da Madalena: (...) Que lembranças ficou para mim do sobrado da Madalena? (Vai passando o Rio atrás) / Na frente o jasmineiro, no oitão, carregado, /o pé de fruta- pão de sombras cordiais. / na cumeeira Luiz de Camões instalado./ O avô de fraque, a avó entre jacarandás / da sala, na varanda, ou querendo, ao seu lado / o neto de qualquer peraltice capaz/ (...) Mauro, apesar das peraltices, morava na casa dos avós onde nasceu, estudou no Colégio Padre Felix e Salesiano, quando encontrou Álvaro Lins, ambos grandes amigos ao longo da vida mantiveram uma correspondência constante. O gaveteiro da cômoda, espaço de invisíveis presenças, entre alguns livros raros, encontro: Paris, Cidade do Pensamento Livre , com oferecimento a Mauro e a mim. Um dos mais belos ensaios sobre Paris escrito pelo insigne jornalista Anibal Fernandes, quando Diretor do Diario de Pernambuco. Passado um bom tempo, Mauro Mota, perspicaz, nos surpreende, com a velha cômoda da sua amada avó Teresa Alexandrina da Motta e Albuquerque, presenteando à bisneta, também Teresa Alexandrina Maura da Motta e Albuquerque, nossa caçula.

Impossível esquecer nossa convivência. Foram 34 anos que o tempo não apaga. É bom lembrar o quanto Mauro Mota se encantaria com os nossos nove netos e três bisnetinhos, teria tantas estórias a contar a todos eles, tomando parte dessa quadra feliz das nossas vidas, ao lado da amada família. Eles também lamentam não ter convivido com o vovô, que se faz presente na vida de todos eles, através dos seus livros, das suas fotos e lembranças da grande figura humana que ele foi. Mauro Mota gostava das brincadeiras hipotéticas, muito suas: adivinhar o pensamento entre os amigos: Laurênio Lima, Nilo Pereira, Marcos Vilaça, Pelópidas Soares,Waldemar Lopes, entre outros. Com amigos fazia as caminhadas à praia, aos sábados, trazendo-os, depois à nossa casa, para uma bacalhoada. O prato dele, sem cebolas. Gostava de dizer que nossas brigas eram por conta das cebolas que ele detestava. Eu insistia pondo-as na comida. Gostava de redes. Armadores foram colocados nos terraços e quartos de dormir. Escrevera em artigo, que Oliveira Lima incluiu a rede nordestina, numa conferência que fez em Paris, na Sorbonne, mesmo ano do nascimento do poeta recifense Mauro Mota, em 16 de agosto de 1911, e no calendário de agosto de 2017.

PS. Recebi do presidente da Academia de Artes e Letras de Pernambuco, escritor Moisés da Paixão, convite para homenagem ao escritor recifense Mauro Mota, dia 31 de agosto de 2017. Contaremos, com a presença dos nossos confrades, amigos e familiares do homenageado, quando teremos de ouvir a à confreira Marly Mota, falar do seu e nosso inesquecível Mauro Mota. Será uma tarde que ficará nos anais da AALP.

Cordiais saudações. Moises da Paixão presidente da Academia de Artes e Letras de Pernambuco.