OPINIÃO

EDITORIAL » Será que ele é?

Publicação: 10/02/2018 03:00

Quem diz que o Brasil para durante o Carnaval, não conhece a política - ou, pelo menos, não inclui a política entre as atividades que paralisam seus trabalhos. Vejamos agora, por exemplo. Entramos em pleno período dos festejos carnavalescos com uma candidatura que poderia ter sido e não foi e, de repente, parece que pode ser: a do apresentador Luciano Huck, da TV Globo, à Presidência da República.

O ressurgimento da possibilidade de ele voltar à corrida eleitoral deu-se após o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmar em entrevista,, na última terça-feira, que a candidatura de Huck “seria boa para o Brasil”, com potencial para “arejar” e “botar em perigo a política tradicional”.  Tal raciocínio, expressado pelo nome de maior relevância do tucanato nacional, evidentemente que tem força para ser interpretado como um estímulo à candidatura.

O problema é que os tucanos já têm um candidato a presidente: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Ligando os pontos, é plausível interpretar a fala de FHC como, no mínimo, uma avaliação cética sobre as chances do governador - muita gente interpretou assim, a tal ponto que FHC, ontem, precisou dar algumas explicações. Reforçou, por exemplo, que o seu candidato é Alckmim. “Quando ele foi designado para ser presidente do PSDB, eu apoiei. Eu sabia e não sou uma pessoa ingênua, que isso seria uma pré-condição para ele ser candidato. Então, eu apoiei com consciência isso. Claro que eu apoio Geraldo”, disse FHC.

Segundo o ex-presidente, o comunicador - que em 27 de novembro escreveu artigo na Folha de S. Paulo dizendo que não se candidataria - ainda não bateu o martelo definitivamente sobre a decisão: “Ele está considerando a possibilidade, mas ele trabalha na Globo, tem um contrato e tem que pesar essas coisas todas. Ele tem que ver por qual seria o partido e como vai ser. Que eu saiba, não há uma decisão por parte dele e não é uma decisão fácil. É uma decisão que tem que ser dele. Eu não vou imaginar que eu possa influir, pois ele sabe a minha posição".

Na quinta-feira o próprio Alckmim veio a público dar sua versão do caso. “Não me sinto sabotado por ele (Fernando Henrique Cardoso, que se encontrou e elogiou o apresentador de TV). Estivemos juntos sábado retrasado. Ele fez questão de vir aqui tomar um café comigo”, disse Alckmin. "Se (Luciano Huck) vai ser candidato cabe a ele definir. O presidente Fernando Henrique é um estadista. Aliás, devo a ele a escolha para ser presidente do PSDB”.

Nestes quatro dias de folia que teremos pela frente, Alckmin, FHC e Luciano Huck não vão desligar da tomada suas articulações e aspirações. O Brasil pode até parar, enquanto o povo festeja nas ruas. Mas a política continua a todo vapor.