A partida de Dorany Sampaio. Perda para todos nós

Francisco de Queiroz Cavalcanti
Professor titular e diretor da Faculdade de Direito da UFPE

Publicação: 14/03/2018 03:00

Nesta semana fiquei mais triste. Muito mais triste, ao saber da partida de Dorany Sampaio. O conheci há muitos anos, há seis décadas, ele me chamava de “Chiquinho”, costume que sempre manteve. Eu, uma pequena criança, e ele colega de turma e amigo de meu pai, que também já partiu. Dorany foi um combatente desde a juventude, sem armas, com palavras, defensor de suas ideias, respeitador das alheias. Aprendi ao longo dos anos a respeitá-lo e admirá-lo. O jovem advogado e político. Cassado pelo AI-5, passando a explorador de um restaurante popular para sobreviver. Reergueu-se, presidiu a OAB-PE com bravura em momentos difíceis da vida nacional. Exerceu cargos da administração pública e ... continuou um respeitável cidadão de classe média. Envelheceu e o fez como um carvalho, sempre evoluindo, sempre vivendo, sempre lutando e ontem partiu após nove décadas. Deixa um exemplo notável de homem público, acreditando neste Brasil, acreditando nos homens e dando exemplo que a política pode e deve ser séria. Mas deixará também um exemplo de ternura, de amizade sincera. Lembro que há três anos, quando tive um sério problema de saúde, uma das primeiras visitas que recebi foi dele. Me deixou um belo livro, bem escolhido, daqueles para erguer a alma e me disse, como sempre me chamava desde criança: “Chiquinho”, tenha fé! Vai dar tudo certo. Hoje reflito, pego o livro, releio o oferecimento, as lágrimas chegam e digo:
Meu amigo DORANY! Obrigado! Parta em paz, com seu exemplo, vai dar tudo certo!