POLÍTICA

Maggi: PF cometeu erros técnicos na 'Carne Fraca' Após reunião no Planalto, governo federal adota o tom de minimizar o resultado da operação

Publicação: 20/03/2017 03:00

Temer convidou os embaixadores para comer carne em uma churrascaria (EVARISTO SA/AFP)
Temer convidou os embaixadores para comer carne em uma churrascaria

O governo brasileiro afirmou que a Polícia Federal cometeu erros técnicos na investigação que deu base para a operação Carne Fraca, deflagrada na sexta-feira. O ministro Blairo Maggi (Agricultura) disse que a apuração aponta problemas em práticas que, na verdade, são permitidas por leis e regulamentos do setor. Ele disse que houve um questionamento ao diretor da PF sobre a condução do inquérito.

As declarações foram dadas após uma reunião convocada pelo presidente Michel Temer para discutir o impacto da operação. O tom de todos os discursos de pessoas do governo foi no sentido minimizar o resultado divulgado pela PF e, ao mesmo tempo, rebater conclusões dos delegados que cuidaram do caso.

Maggi contestou três dos assuntos que mais repercutiram após a operação, sobre a utilização de: ácido considerado cancerígeno na mistura de alimentos, de papelão em lotes de frango e também o da carne de cabeça de porco, que a polícia diz ser “sabidamente proibida”. “Eu acho que essa é uma questão muito mais da narrativa que foi adotada para tratar do assunto. Essa questão do papelão, está claro no áudio que estão se falando de embalagens e não falando de misturar papelão na carne. Senão é uma idiotice, uma insanidade, para dizer a verdade. As empresas brasileiras investiram alguns milhões, milhões e milhões de dólares dos seus mercados, há mais de dez anos, para consolidar mercado, e aí você pega uma empresa que é exportadora e vai dizer que misturou papelão na carne? Pelo amor de Deus. Não dá para aceitar esse tipo de situação”, declarou o ministro.

De acordo com o chefe da pasta, “está escrito no regulamento” que a carne de cabeça de porco pode ser utilizada. Ele também afirmou que o ácido ascórbico, divulgado como cancerígeno, “é vitamina C e pode ser utilizado em processos”. “A narrativa nos leva até a criar fantasias. Não estou dizendo que não tenha sentido a investigação. Com toda certeza tem. Quando estamos falando ‘fiquem tranquilos’ é porque a gente conhece a maior parte do nosso sistema, 99% dos produtores de alimentos fazem as coisas transparentes, fazem as coisas certas”.

O presidente Michel Temer criou uma força-tarefa do Ministério da Agricultura, que já colocou os 21 frigoríficos envolvidos na Carne Fraca sob “regime especial de fiscalização”. A anúncio foi feito durante encontro com os embaixadores dos 33 países que mais importam carnes do Brasil ocorrido no Planalto. Temer quis acalmar os embaixadores que, no final, foram convidados para participar de um churrasco em uma das mais procuradas casas de Brasília. Eles jantaram em seguida.

A carne bovina que Temer comeu, porém, não era de origem brasileira, segundo funcionários do próprio restaurante. Somente as carnes suínas e de frango servidas no local são nacionais. A carne bovina é importada da Argentina, Uruguai e Austrália. Temer e a comitiva participaram de um rodízio. O Planalto reservou uma mesa para 80 pessoas. (Folhapres e AE)