POLÍTICA

Advogado minimiza acusação de empresário Para defensor de Lula, depoimento de Léo Pinheiro foi produzido para fechar uma delação premiada

Publicação: 21/04/2017 03:00

O advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cristiano Zanin Martins, minimizou ontem as declarações do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro ao juiz Sérgio Moro sobre a propriedade do triplex no Guarujá. “O que ele disse é que foi dada a propriedade, mas não sabe dizer como foi dada nem de que modo”, afirmou o advogado do petista. “Perguntei se foi dada a chave e ele disse que não. Se foi usado o apartamento, ele disse que não. Ou seja, tudo que pode ser relacionado à posse do imóvel foi negado”, disse Zanin.

Nota publicada ontem no site oficial de Lula afirmou que o depoimento de Léo Pinheiro “foi feito em meio a um processo de negociação de delação premiada e foi exigido dele que incriminasse o ex-presidente”. “A afirmação do empresário a respeito da pretensa ligação de Luiz Inácio Lula da Silva com um apartamento no Guarujá é desprovida de provas e faz ilações sobre supostos acontecimentos que jamais ocorreram.”

Zanin rebateu ainda as declarações do ex-presidente da OAS de que o petista ordenou a destruição de provas durante a Operação Lava-Jato. Segundo ele, trata-se de “mentira deslavada” dita pelo empresário diante de exigências do Ministério Público Federal para fechar uma delação.

“Essa afirmação, solta, foi feita em um depoimento que ele (Léo Pinheiro) claramente apresentou uma mentira e uma versão que foi exigida dele pelo Ministério Público como condição para ele fazer um acordo de delação premiada. É uma mentira deslavada”, disse Zanin.

Para o advogado, o depoimento do empreiteiro não prejudica, “em hipótese nenhuma”, as condições de Lula para o interrogatório diante de Moro em maio. O petista será ouvido no processo em que é acusado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex.

Na quarta-feira, véspera do depoimento do ex-presidente da OAS, a defesa de Lula havia juntado ao processo relativo ao triplex no Guarujá e do qual o petista é alvo um documento assinado pelo próprio Léo Pinheiro, “sob as penas da lei”, em que a OAS diz ser a dona do imóvel no litoral paulista.

O documento é um lançamento de debênture no qual a unidade 164 do Condomínio Solaris é hipotecada como parte do pagamento de dívidas da empreiteira. A debênture foi emitida em 3 de novembro de 2009, quase um mês depois da data em que o Ministério Público diz que o ex-presidente teria se tornado dono do apartamento. A defesa do ex-presidente questiona como a OAS pode ter repassado o apartamento ao petista no início de outubro e hipotecado o imóvel. (AE)