POLÍTICA

Painel político

por Daniela Lima/folhapress
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Publicação: 19/05/2017 03:00

Ouvidos moucos

 

O destino de Michel Temer começou a ser selado por volta das 18h de ontem, na antessala de seu gabinete, quando ministros e aliados se reuniram aos cantos, em pequenos grupos, para ouvir em celulares e notebooks o grampo de sua conversa com o empresário Joesley Batista. Nomes do PSDB minimizaram o conteúdo da gravação diante da plateia governista. Decidiriam porém, a sós, à noite, o rumo do partido. Se houver desembarque, será conjunto. E terá efeito cascata.

 

Plano B //  Ala do PSDB que passou a defender o nome do senador Tasso Jereissatti (CE) para suceder Temer na Presidência caso ele deixe o Planalto e haja eleição indireta começou a buscar apoio ao tucano em outras siglas.

Vai que cola // A tese repercutiu até em nomes da oposição, especialmente pela projeção de que, com a jurisprudência que o Supremo tem hoje, só pessoas com filiação partidária e desincompatibilizadas de cargos públicos poderiam se candidatar à uma eleição congressual.

Lado certo // Provocado com pergunta se também estava discutindo o desembarque do governo, Renan Calheiros (PMDB-AL) não titubeou: “Nunca entrei”.

Fiapo // O grupo mais próximo ao presidente Michel Temer vai martelar a tese de que o diálogo em que ele usa a frase “tem que manter isso aí” é diferente do registrado inicialmente pela imprensa, ignorando o contexto geral da conversa que trata de pagamentos a Eduardo Cunha.
Por falar nisso // Protagonista do calvário de Dilma Rousseff e agora da penúria de Temer, Eduardo Cunha mandou da cadeia um recado a seus advogados: diz que não vai delatar e que “vai enfrentar todo o processo”.

Aí não dá // Auxiliares de Temer ficaram irritados com o fato de os donos da JBS terem divulgado um pedido de desculpas. Entre palavrões, afirmaram que é fácil “fazer essa confusão toda” e “mudar com a família com para NY, na quinta avenida, enquanto o país explode”.

Pegadinha // O discurso de que o ex-presidente Lula não estaria disposto a entrar em uma eleição direta agora, caso o governo Temer caia, é um despiste endereçado especialmente ao PIB e à Lava-Jato. Nem Lula nem o PT descartam a candidatura.

Chapa quente // Enquanto milita pela eleição direta, a Rede atua para filiar, o quanto antes, os ministros do STF Carlos Ayres Britto e Joaquim Barbosa, hoje fora da corte. A sigla sonha lançar Marina Silva candidata ao Planalto com um dos dois na vice.

Nada muda // O presidente do TSE e ministro do Supremo, Gilmar Mendes, desembarcou no Brasil ontem afirmando que o cronograma para o julgamento da chapa Dilma-Temer será mantido. O caso vai ao plenário da corte eleitoral dia 6 de junho.

Acelera // Há um esforço conjunto no TSE para não prolongar o julgamento da da chapa Dilma-Temer. Ministros cancelaram viagens e compromissos para se debruçar sobre o caso.

 

Contraponto

Remédio para todos os males
Em reunião há alguns meses, a bancada da Bahia na Câmara se reuniu para eleger as prioridades das emendas do Orçamento de 2017 com a presença do vice-governador João Leão (PP). Em um dado momento, começaram a falar do projeto da ponte Salvador-Ilha de Itaparica –que não sai do papel há anos.
Em tom de deboche, o deputado José Nunes (PSD) disse que essa ponte podia ser batizada com o nome do vice-governador em sua inauguração.
– Mas a lei não permite que se dê nome de pessoas vivas a monumentos públicos – interrompeu João Leão.
– Nada que o tempo não resolva! – rebateu Nunes.