POLÍTICA

Diario político

por Marisa Gibson
marisa.gibson@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 19/05/2017 03:00

O calvário de Temer

 

Finda a espera da renúncia, começa agora o calvário do presidente Michel Temer (PMDB). A sua permanência no Palácio do Planalto abre espaço para duas possibilidades que colocam em risco a governabilidade do país, um impeachment ou a cassação da chapa pelo TSE. Além disso, pode provocar ruídos em estados, como Pernambuco, onde o PMDB integra o governo. Nos bastidores, a guerra continua a mesma: haverá eleição direta ou indireta quando Temer cair? O fato de  partidos da base terem orientado seus ministros a deixar os cargos é um indicativo de quão frágil  é o apoio do governo no Congresso. E a oposição tem mais munição para acusar do que os governistas dispõem de armas para defender. Temer está sendo investigado pelo STF e nas ruas é grande a pressão contra o presidente. Isso não é pouca coisa. Entre os acusadores, o PSB –  partido do governador Paulo Câmara que vinha seguindo um caminho de maior aproximação com o Planalto – está na linha de frente e defende eleições diretas para o pós-Temer. Do outro lado, o deputado federal Jarbas Vasconcelos (PMDB), aliado do presidente, pondera que a situação é grave, salienta que sempre acreditou na correção do peemedebista, mas as pessoas erram e Temer deve uma satisfação ao povo. Jarbas assinala ainda que o país vive em pleno Estado de Direito e que em outras oportunidades já estariam batendo na porta dos quartéis. Logo, pontua, o melhor é cumprir a Constituição. Ou seja: se Temer cair, deve haver eleição indireta. Bem, o Palácio do Planalto aposta que hoje será outro dia. E assim, enquanto o país permanece na zona cinzenta das incertezas, surgem protestos locais contra a presença do PMDB no governo Paulo Câmara. Ontem, nas imediações do Palácio das Princesas, manifestantes carregavam faixas com dizeres nunca vistos até agora:” fora Raul Henry.”

 

Sobrevida
Todas as agendas ministeriais foram suspensas ontem com clima de fim de festa imperando nos gabinetes. A sobrevida na Esplanada dos Ministérios pode ser curta.

Fôlego
Entre os pernambucanos, o ministro da Educação, Mendonça Filho, tem outra perspectiva. O seu partido, o DEM, em qualquer hipótese terá 30 dias de poder. Antes de uma eventual eleição para substituir Temer, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), ocupará a Presidência da República durante um mês.

Vigília
Desde quarta-feira à noite, o PSB, junto com os demais partidos de oposição, está em vigília no gabinete da liderança do PDT na Câmara dos Deputados, trabalhando pelas eleições diretas. Os deputados Danilo Cabral e Júlio Delgado são os socialistas que permanecem em Brasília para acompanhar o desenrolar da crise.

Signatário
Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB, comentou com deputados que será, como cidadão, um dos signatários de um dos pedidos de impeachment contra Temer.

Estratégia
O painel de frequência da Câmara dos Deputados não foi acionado ontem, como estratégia para impedir quorum para discussão de qualquer proposta contra o governo Temer. Ao encerrar a sessão, na quarta-feira, o presidente da Casa, Rodrigo Maia, antecipou que no dia seguinte não haveria frequência. Resultado, muitos deputados retornaram aos seus estados.

Surpreso
O embaixador da União Europeia, João Gomes Cravinho, confessou a Paulo Câmara, ontem no Palácio das Princesas, que estava pasmo: “Comentávamos em Brasília que com o início da recuperação econômica, Temer iria completar o governo e, menos de vinte a quatro horas depois, a situação é exatamente o oposto”.

Eu também
O senador Armando Monteiro (PTB), um dos articuladores da visita dos embaixadores europeus a Pernambuco, foi consultado por João Cravinho, sobre iniciativas do setor produtivo que os embaixadores poderiam conhecer no estado. O senador sugeriu entre outras, o Porto Digital. Hoje, Armando janta com o grupo.

Sal grosso
O ato do governo federal devolvendo a autonomia do Porto de Suape ao estado pode ser assinado lá mesmo em Brasília, sem atropelos. Hoje, Temer deveria vir a Suape. Traduzindo: é melhor o estado correr atrás.