POLÍTICA

Painel político

Publicação: 19/06/2017 03:00

Mapa da guerra

Aliados de Michel Temer têm em mãos um dossiê jurídico que aponta caminhos para pedir a anulação da delação dos irmãos Batista. O documento elenca itens que poderiam dar base formal a diversos questionamentos sobre o acordo firmado com o MPF. A minuta tem um capítulo intitulado “Expectativas” que recomenda, por exemplo, que o governo peça no Supremo a rescisão da colaboração da JBS, alegando que ela “abusou da boa fé dos brasileiros e garantiu a impunidade aos delatores”

Às claras // O documento de 30 páginas questiona a competência do ministro Edson Fachin para homologar a delação da JBS, tema que será julgado pelo STF na quarta-feira, e sugere que o MPF “seja intimado” a explicar à sociedade porque deixou de denunciar os irmãos Batista.

O herói // Ministros do Supremo têm reclamado, reservadamente, do que chamam de açodamento da Procuradoria-Geral da República na formulação de denúncias contra políticos.

E o vilão // Os magistrados dizem que, muitas vezes, a Justiça rejeita denúncias que não vêm acompanhadas de provas suficientes. Esse cenário, dizem, empurra para o Judiciário a pecha de ineficaz.

Veja bem // Esses mesmos ministros afirmam que o acordo da JBS deveria ter sido avaliado pelo plenário do STF.

Última que morre // O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) vai entrar no STF com um mandado de segurança para que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decida sobre 19 os pedidos de impeachment de Michel Temer – que estão há cerca de um mês em sua mesa.

Para depois // Uma eventual decisão de Maia sobre o caso não deve sair nesta semana. O deputado assume interinamente a Presidência da República por causa da viagem oficial de Temer para a Rússia e a Noruega.

História sem fim // Pessoas próximas ao ex-ministro Antonio Palocci dizem que, em sua delação, ele trará novos detalhes sobre desvios descobertos, ainda que parcialmente, durante o mensalão.

Me dê motivos // Primeiro grande escândalo da era petista, o caso foi abordado pelo juiz Sérgio Moro durante depoimento do ex-presidente Lula, em Curitiba, em maio. Na ocasião, a defesa do ex-presidente o orientou a não responder às perguntas.

De baixo... // Advogados do operador Lúcio Funaro se reúnem nesta semana com integrantes do Ministério Público Federal, em Brasília, no âmbito da operação Greenfield, que apura esquema de desvios em fundos de pensão.

... para cima // O criminalista Antonio Figueiredo Basto diz que, por ora, não vai tentar um acordo de delação de Funaro com a Procuradoria-Geral da República. O plano, agora, é buscar outros meios de colaboração.

Segura! // Leo Pinheiro, ex-presidente da OAS, prestará depoimento nesta amanhã à 10ª Vara Federal, em Brasília, na esfera da Greenfield. Na quarta-feira, tem audiência com o juiz Sérgio Moro. O empreiteiro negocia acordo de delação premiada com a PGR.

Tiroteio

"O PSDB não quer enxergar a realidade. Concluo que ministérios e cargos fazem mal à saúde. Quem tem fica cego, surdo e mudo."
DO DEPUTADO JOÃO GUALBERTO (PSDB-BA), autor de um dos pedidos de impeachment de Michel Temer, sobre seu partido decidir ficar no governo.

Contraponto

Não atire no mensageiro
Na sessão de 31 de maio, a senadora Fátima Bezerra (PT-RN) criticava o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM-PE), por ele ter faltado a uma audiência pública. Irritada, dirigiu-se ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE):
– Faço questão de entregar a moção de repúdio a você, presidente.
– Repúdio a mim? Não! – respondeu Eunício, aos risos.
A senadora esclareceu que o documento era endereçado a Mendonça. Eunício, então, arrematou:
– Se é só a entrega do documento, muito bem, eu recebo com muita satisfação, querida Fátima.