POLÍTICA

Painel político

por Daniela Lima/folhapress
painel@grupofolha.com.br

Publicação: 17/07/2017 03:00

O que digo e o que faço

Embora apresente o gesto como forte ativo no Congresso, o presidente Michel Temer foi avisado por líderes de partidos do Centrão que, embora tenham fechado questão pela rejeição da denúncia de Rodrigo Janot, eles não conseguirão evitar traições em suas bancadas. O PP contabiliza cinco defecções. No PSD sete dos 37 deputados avisaram que vão votar contra o peemedebista. Uma lista de infiéis também foi apresentada pelo PRB: dos 22 parlamentares, só 14 estão com Temer.

Sem férias // Os artistas que estão à frente do movimento “342 agora” acreditam que serão beneficiados com as duas semanas de recesso antes da votação da denúncia contra Temer. Neste período, vão ampliar a pressão sobre os deputados indecisos e favoráveis ao presidente. Na sexta-feira, o movimento calculava 204 votos a favor da denúncia, 140 contra e 169 indecisos.

No escurinho //  Líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) tem dito que a oposição vai ter que “pegar lanterna para procurar os 342 votos a favor da denúncia contra Temer”.

Cara nova  // O DEM vai mudar de nome após a sua refundação. Para marcar um novo rumo, a sigla estuda defender a convocação de uma assembleia constituinte em 2019 para tratar da reforma política, e a retomada do debate sobre a implantação do parlamentarismo no Brasil.

No papel  // Uma espécie de guia com as propostas feitas para dar o lustro ideológico do novo Democratas, com perfil de centro-direita, foi entregue à cúpula do partido e a parlamentares que devem migrar para a legenda após sua repaginação.
Mundo dá voltas // Além de dissidentes do PSB e integrantes de partidos nanicos, nomes do PSD também participam das conversas. Fundado em 2011 por Gilberto Kassab, que era do Democratas e levou consigo dezenas de quadros, o PSD quase extinguiu o DEM.

Hora de pagar...  // A pedido da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, a IFI (Instituição Fiscal Independente) prepara relatório sobre a reforma da Previdência. O documento aponta o risco de gastos com aposentadorias furarem o teto fiscal em 2018 se mudanças na área não forem aprovadas.

...a conta // Segundo pessoas que acompanham a formulação do estudo, ele deve pregar a aprovação de, ao menos, uma mudança na idade mínima para aposentadoria.

A pena e a galinha // A expectativa de que Antonio Palocci entregue um suposto esquema de venda de dados do governo para bancos levou advogados de poupadores a questionarem o que teria motivado Guido Mantega a defender instituições financeiras nas ações sobre os planos econômicos.

Dinheiro de quem?  // Novo capítulo no embate que a J&F e Lúcio Funaro travam torno de uma ação em que o corretor cobra dinheiro de Joesley Batista. À Justiça, a empresa diz que firmou um contrato ilegal com Funaro, e que, por isso, não há o que pagar.

É meu  // A defesa do corretor entrou com petição defendendo a legalidade do acordo. Ele cobra R$ 30 milhões por serviços prestados na fusão dos frigoríficos JBS e Bertin.

Tiroteio

O presidente não faz outra coisa a não ser se defender. Só usa o cargo para fazer manobras na tentativa de se salvar das acusações.

DO DEPUTADO PATRUS ANANIAS (PT-MG), ao avaliar que o país ficará parado enquanto Michel Temer, acuado por denúncias, permanecer no Planalto.

Contraponto

Ironias do destino

Em agosto de 2015, Rodrigo Janot foi sabatinado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. Na ocasião, ainda não era tido como algoz de políticos e havia espaço para descontração. Entre uma gracinha e outra, o senador Zezé Perrela (PSDB-MG), hoje alvo de investigações deflagradas após a delação de Joesley Batista, criticava benefícios excessivos a delatores, mas poupava o então candidato a procurador-geral.
– Um dos seus defeitos é ser atleticano, não é, procurador, mas a gente releva isso aí! – brincou Perrela.
– Mas a minha mulher é cruzeirense! – respondeu Janot, de pronto, aos risos.