POLÍTICA

O último discurso no Sertão ficou na história Quatro dias antes de sua morte, ocorrida há três anos, Eduardo Campos fez um comício em Bodocó

Rosália Rangel
rosalia.rangel@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 12/08/2017 03:00

O ex-governador Eduardo Campos fez seu último discurso em Pernambuco na condição de candidato a presidente da República na noite do dia 9 de agosto, no município de Bodocó, no Sertão do estado. O comício aconteceu no sábado, antecedendo o aniversário de 49 anos dele e o Dia dos Pais, comemorados pelo socialista junto com a esposa Renata Campos e os cinco filhos do casal.

Eduardo chegou à cidade, depois de passar por Alagoas e Paraíba, para se juntar à comitiva da Frente Popular, que em 2014 tinha a missão de eleger Paulo Câmara governador de Pernambuco.

As palavras de Eduardo foram dirigidas ao povo de Bodocó e da região do Araripe que quebraram o discurso de 21 minutos e três segundos do candidato algumas vezes para aplaudir suas declarações. O que eles não imaginavam é que três dias depois, na quarta-feira 13 de agosto de 2014, o país seria surpreendido com a notícia da morte de Eduardo Campos em um acidente aéreo em Santos, litoral de São Paulo. A tragédia aconteceu um dia depois de ele ter dito em rede nacional de televisão, em uma entrevista ao Jornal Nacional, que não desistiria do Brasil.

O entusiasmo de Eduardo para chegar ao Palácio do Planalto dava a ele a certeza de que alcançaria o voo mais ambicioso de sua trajetória política. “Pernambuco sabe que vou ser presidente da República”, disse no comício de Bodocó, acrescentando que a partir dali Pernambuco tinha dois caminhos a seguir. “O caminho certo ou o caminho errado. O caminho da lealdade ou da traição. O caminho da honestidade, da ética ou o da corrupção. O caminho dos que querem unir Pernambuco ou os que querem dividir Pernambuco. É essa escolha que Pernambuco vai fazer”, frisou na época.

O ex-governador tinha consciência de que apenas 30% dos brasileiros sabiam que ele era candidato a presidente da República, mas confiava no sucesso da sua campanha, que já lhe dava 14% da preferência do eleitorado, segundo as pesquisas. “O Brasil já deu a chance ao PSDB. Já deu a chance ao PT. Eles fizeram pelo Brasil. Mas agora é preciso fazer de outro jeito. Do jeito que está em Brasília não vai chegar ao povo”, criticou.

Ele complementou dizendo que por isso o Brasil queria mudanças. “Mas não quer mudar para voltar para trás ou jogar fora as conquistas. Quer mudar mantendo o Bolsa Família. Quer mudar mantendo o Prouni. Quer mudar agilizando o Brasil para voltar a crescer. E é isso que nós vamos fazer”, garantiu o socialista.

Eduardo também lembrou do desafio de governar Pernambuco. “Não é fácil. A dona de casa sabe que governar uma casa é um desafio muito grande. Imagine o que é governar um estado com nove milhões de pessoas (à época), com 90% do seu território na região do semiárido, com desigualdades, tendo que tomar conta da educação, da saúde, da segurança, do campo, dos morros, das cidades”, pontuou o socialista que comandou o estado por dois mandatos (2007/2014). Ele deixou o cargo em abril para concorrer à Presidência da República.

Neste domingo, para marcar os três anos da  morte de Eduardo e do ex-governador Miguel Arraes, que faleceu em 13 de agosto de 2005, a família mandará celebrar uma missa, às 8h, na Matriz de Casa Forte. A homenagem será também para todos que morreram no acidente.