POLÍTICA

Agenda política de olho em 2018 No Recife para participar de palestra em universidade, Fernando Haddad aproveita a viagem para debater com aliados os planos para as eleições

Publicação: 12/08/2017 03:00

Num roteiro que incluiu ontem a realização de palestras sobre a democracia em universidades de Pernambuco, ato de filiação do PT no Recife e encontro com dirigentes dos partido no estado, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) prossegue neste sábado sua estada na capital pernambucana com uma agenda essencialmente política. Potencial candidato à Presidência da República em 2018 – caso o ex-presidente Lula seja impedido pela Justiça de se candidatar –,  Haddad terá hoje, a partir das 8h, um café da manhã com petistas no Recife Praia Hotel, no Pina, e às 11h se encontrará com o governador Paulo Câmara (PSB) no Palácio do Campos das Princesas. Segundo o líder socialista, será para discutir “ideias para o futuro”.

Antes de participar da palestra na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), que teve como tema a “Retomada da Democracia em um Projeto de Nação, Haddad falou à imprensa sobre a retomada da caravana de Lula ao Nordeste, a respeito da campanha presidencial e construção de política de alianças para se contrapor ao projeto de poder do presidente Michel Temer em 2018, a exemplo do PSB e PDT. Sem meias palavras, Haddad fez críticas à aprovação da reforma trabalhista e avaliou que a ex-presidente Dilma (PT) fez um diagnóstico errado sobre a crise internacional e a “oposição se aproveitou dessa fragilidade para sabotar o país”.

Caravana de Lula
“Lula é quem é no Nordeste e o Nordeste conhece Lula. As pessoas sabem o que mudou. Essa região teve uma atenção em seus governos (Lula). As pessoas têm uma atenção a Lula. A viagem é para a gente lembrar para as pessoas que tem um Brasil que deu certo e que pode voltar a dar.”

Defesa e eleição
“Na semana que vem teremos um lançamento de um livro com mais de 100 juristas defendendo uma moção em favor do presidente Lula com base nos autos, ou seja, apontando para a possibilidade de uma reversão da decisão de primeira instância. Seria muito deselegante de nossa parte trabalhar com outra conjuntura (no PT). Não é justo com o presidente Lula. Estamos convictos que nossa tese jurídica é boa, sólida.”

Alianças
“A relação do PT com o PSB sempre foi muito boa, mas o partido hoje não é um só. Existe um PSB que está com Temer e um PSB dos bons tempos de Lula. Qual o PSB vai prevalecer eu não sei. Fazer análise agora é prematuro, mas certamente existe um PSB dos tempos de progresso, de desenvolvimento que a gente sente saudade daquela época não tenho dúvida. Historicamente o PSB sempre esteve do lado da população, buscou alargar direitos, fazer programas progressistas.”

Democracia
“Tem uma ofensiva do governo (Temer) muito grande para esvaziar a soberania popular. Pense numa proposta de Distritão, por exemplo. Ela visa esvaziar a discussão sobre temas caros à democracia. O retorno ao debate sobre o Parlamentarismo. Isso é gravíssimo. Já nos manifestamos num plebiscito em 1993. O governo Temer tende a esvaziar as esferas de discussão política para impor o seu projeto. Mas há uma reação importante. A sociedade não está parada. É o governo mais impopular da história do país e começa uma votação para preparar o terreno para discutir um novo projeto de Brasil. Haverá dois projetos no próximo ano. O governo Temer e o do resgate do governo Lula. Não vejo outra possibilidade nesse cenário.

Ciro Gomes como vice
“Considero Ciro (Gomes) um cara da melhor qualidade, uma pessoa que foi ministro do governo Lula na Integração e eu na Educação. Fizemos um trabalho que foi muito reconhecido pela população. É uma pessoa de alta qualidade Me sinto lisonjeado pela lembrança do Ciro e devolvo o elogio porque é um grande quadro.”

Autocrítica
“As críticas eu fiz publicamente. Acho que o governo Dilma partiu de um diagnóstico de que a crise que se abateu sobre o mundo a partir de 2008 era conjuntural e que se ela adotasse algumas medidas anticíclicas as coisas iriam se dissipar e o Brasil retomaria o desenvolvimento do tempo de Lula. Acho que houve falha de diagnóstico. Na verdade ela não tinha mais capacidade de suportar aquelas políticas anticíclicas por causa do tamanho da crise internacional. Uma coisa que precisa ser dita é que a oposição se aproveitou disso no segundo mandato para sabotar o país, aprovando gastos absurdos, sabotando a pauta do governo no Congresso. Essa sabotagem multiplicou por dez o que seria um ajuste normal.” (Cláudia Eloi)