POLÍTICA

'O ato dele tem nome: traição' Jarbas fez discurso duro contra Fernando Bezerra Coelho e lembrou que, nem quando o PT era governo, tomaram o PMDB de Pernambuco

Aline Moura
aline.moura@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 13/09/2017 03:00

Quase duas semanas depois de receber o senador Fernando Bezerra Coelho de braços abertos e tecer elogios ao parlamentar, que “engrandecia o estado”, o deputado federal Jarbas Vasconcelos (PMDB) adotou outro tom, ontem, em discurso na Câmara dos Deputados. A mudança brusca se deu após FBC se filiar, em Brasília, sem conversar com o presidente estadual do PMDB, Raul Henry, e receber o apoio da cúpula nacional para levar o PMDB do estado para oposição contra o governador Paulo Câmara (PSB). Jarbas tratou o ingresso de FBC na sigla como “traição” e relembrou todas as mudanças partidárias que o senador fez em sua carreira política, saindo da oposição para o governo ou vice-versa. “Quero alertar esta Casa e o povo brasileiro para uma tentativa sórdida e desrespeitosa de calar a minha voz”, disse.

Jarbas lembrou sua história no partido, desde quando lutou contra a ditadura militar, e comparou com a do novo correligionário: “Fernando Bezerra Coelho tem uma história marcada por adesismos de ocasião. Era do PDS, mas quando viu a possível vitória de Arraes, dele se aproximou. Depois foi para o PMDB com Orestes Quércia e passou pelo PPS quando a candidatura de Ciro Gomes se consolidou. Voltou para me apoiar quando venci a disputa pelo governo de Pernambuco. Foi para o PSB com Eduardo Campos e virou ministro de Dilma. Agora, seu filho é ministro de Temer”.

Diferentemente do seu estilo, Jarbas levou à tribuna um discurso por escrito, com críticas veladas à direção nacional da legenda, comandada pelo senador Romero Jucá. O texto de Jarbas foi lido pouco antes da abertura da ordem do dia e o espaço foi cedido pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com quem ele esteve na noite anterior e desabafou sobre FBC. A filiação do senador ao PMDB desagradou colegas de seu antigo partido, o PSB, irritou o DEM, legenda na qual ele pretendia se filiar, e desarrumou o PMDB de Pernambuco.

Jarbas lembrou que os mesmos que querem esvaziar seu poder no partido foram aliados do PT no passado, dando uma sinalização de que uma aliança com os petistas no estado, caso realmente seja uma pretensão de Paulo Câmara, não será tão fácil de engolir. “Durante todo o período dos governos do PT, estive na oposição. E a bem da verdade é que a maioria dos que hoje pretendem me expulsar do PMDB apoiou os governos que hoje criticam. Foram cúmplices nos malfeitos. Eu mantive a minha coerência. Não titubeei. Não tergiversei. Paguei um preço político por isso, mas não me arrependo um segundo sequer”, frisou, para depois fazer uma ressalva. “Mesmo na era petista e apesar de eu ser minoria no meu partido, nunca tentaram tomar o PMDB de Pernambuco”.

Jarbas destacou que não faz oposição ao governo Temer e explicou que tinha sido alertado sobre o poder de “desagregação” causado por FBC. “Em poucos dias, percebi que Fernando Bezerra está trabalhando para intervir no PMDB de Pernambuco. Ao meu gesto cordial de elogiar a ele e ao seu filho ministro, o senador (FBC) respondeu com desrespeito e prepotência. O ato dele tem nome: traição”.

No mesmo dia do discurso de Jarbas, durante a manhã, Raul Henry reuniu o diretório estadual para tentar mostrar que, em Pernambuco, FBC está isolado na proposta de comandar a legenda e virar o PMDB contra Paulo Câmara. A sigla voltou a lançar nota com o título “Exigimos respeito”. As assessorias do senador e do ministro Fernando Filho foram procuradas para falar sobre o assunto, mas os dois não quiseram se pronunciar. FBC fará um pronunciamento hoje no plenário, no mesmo dia em que Raul Henry pretende se encontrar com Romero Jucá, em encontro da executiva nacional.