POLÍTICA

Diario político

Marisa Gibson

Publicação: 13/09/2017 03:00

Pressão máxima

Esta é a previsão: até o fim deste mês, o senador Fernando Bezerra Coelho deverá ser empossado como presidente do PMDB de Pernambuco. Se concretizada, será uma das maiores reviravoltas da política pernambucana, semelhante ao rompimento de Jarbas Vasconcelos com Miguel Arraes nos anos 1990. O estado, portanto, está na iminência de um redirecionamento político-eleitoral que poderá custar ao PSB a reeleição do governador Paulo Câmara, e que começou com a  ameaça de expulsão do partido feita aos Coelho pelo PSB nacional, face ao alinhamento do grupo com o Governo Temer. Ontem, na tribuna da Câmara dos Deputados, Jarbas Vasconcelos, um dos símbolos do PMDB,    usou todo o seu talento para demolir a imagem de Fernando Bezerra Coelho. “Traidor”, resumiu o peemedebista, após advertir que o PMDB nacional quer calar a sua voz por ele ter sido favorável à investigação do presidente Michel Temer. Ao final, Jarbas avisou: recorrerá a todas as instâncias políticas e jurídicas para impedir que o PMDB se transforme numa extensão familiar dos interesses de Fernando. Hoje, a executiva nacional do PMDB se reúne em Brasília para tratar da dissolução dos diretórios do partido em Pernambuco, Tocantins e Paraná. A partir daí se saberá que rumo tomará este novo capítulo da história política pernambucana, sempre marcada por momentos de acirramentos extremos. Bem, aos grandes líderes, a história sempre cobra um preço muito alto. Se Jarbas não tivesse rompido com Arraes ele jamais teria sido governador de Pernambuco. Por esse gesto, o peemedebista foi muito criticado pelos socialistas e, quis o destino, que uma briga interna do PSB terminasse colocando em risco o seu comando sobre o PMDB no estado.

Saindo da toca
O PSB, que detém o poder no governo do estado e contra o qual se trava essa disputa no PMDB, estava escondido no papel de coajuvante, mas ontem o prefeito Geraldo Julio falou sobre o assunto e Sileno Guedes, presidente estadual do partido, encontrou-se com o prefeito de Olinda, Professor Lupércio (SD), um dia após Fernando Bezerra Coelho (PMDB) ter feito o mesmo.

Ontem e hoje
Uma fala do arraesista  Adilson Gomes, secretário-geral do PSB, elogiando Fernando Bezerra Coelho, atiçou os socialistas que, até pouco tempo, defendiam a permanência do  senador no partido. “Agora, que Fernando tem um projeto contra a candidatura de Paulo à reeleição, nosso posicionamento é outro”, disse Sileno Guedes.

Versões
De um lado, se afirma que a fala de Adilson em solidariedade a Fernando Bezerra Coelho reflete o isolamento a que foi submetido o histórico socialista dentro do PSB. Do outro lado, se diz que o depoimento de Adilson foi feito quando o PSB estadual ainda tentava impedir a saída dos Coelho do partido.

Outro
Outro socialista que estaria solidário a Fernando Bezerra Coelho é Heraldo Selva, que concorreu à Prefeitura de Jaboatão e foi derrotado por Anderson Ferreira (PR). Derrotas eleitorais sempre deixam sequelas.

Pós-tormenta
Poucos pensam na possibilidade de Jarbas e Raul fora do PMDB, mas se acontecer, o PSB, ao que parece, vai mantê-los como aliados. Essa matemática no entanto pode ser complicada caso haja intervenção no PMDB e Jarbas e Raul partam para a judicialização da questão.

Recado para todos  
O ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB), não citou nomes, mas se posicionou sobre a postura governista de deputados tucanos na Assembleia Legislativa, durante a Missa do Vaqueiro de Canhotinho, domingo. Disse que “todo" o PSDB estadual entende que Pernambuco precisa passar por um processo de renovação. “Pernambuco está tendo a oportunidade de mudar, avançar e partir para um outro projeto", frisou.

Não e sim
Álvaro Porto (PSD) destacou ontem, em discurso na Assembleia, que, embora esteja incluída no calendário oficial de eventos culturais de Pernambuco, a Missa do Vaqueiro de Canhotinho não recebeu um único centavo de apoio do governo do estado. Mas ressaltou que esta edição entrou para a história por ter sido palco da “renovação de votos” da frente que os partidos de oposição estão construindo.