POLÍTICA

Diario político

Aline Moura (interina)

Publicação: 12/10/2017 03:00

Vitrine rachada

Principal liderança da oposição no Agreste do estado, a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), está tendo dificuldades de blindar o seu mandato nos últimos dias, o que favorece o governo Paulo Câmara (PSB), que visa ampliar sua força na região. Depois da polêmica envolvendo o TCE e o São João, os adversários conseguiram vender o discurso à população de que Raquel Lyra estava reduzindo a licença-maternidade das mulheres com contrato temporário de 180 para 120 dias. Iniciado pelo vereador Daniel Filizola (PT), o debate atingiu o lado que Raquel sempre expôs como positivo na vitrine: o de valorização da mulher. Segundo o secretário de Governo caruaruense, Rubens Júnior, a polêmica levantada teve o apoio de um vereador governista - Rozael do Divinópolis (PRTB) - por desconhecimento. Ele frisou que a equipe da prefeita já entrou em contato com a base governista para esclarecer as dúvidas. Rubens Júnior explicou que a licença-maternidade de 120 dias só será aplicada à mãe (em contrato temporário) que tiver o bebê antes de completar seis meses de trabalho, conforme está escrito na Lei Orgânica do município. Após seis meses, exatamente, o benefício está assegurado com 180 dias.

Direitos mantidos
A aposta de Raquel Lyra (PSDB), agora, é trocar o vidro rachado. O projeto precisava de 16 votos para ser aprovado na Câmara Municipal, havia sido discutido nas comissões permanentes, mas foi derrotado em primeira discussão. “Não haverá retirada de nenhum direito da servidora pública municipal”,  prometeu.

O cerco
A derrota de Raquel na Câmara ocorreu em meio à reação do governo estadual para reduzir a violência em Caruaru, na operação policial chamada de “Cerco de Jericó”. A criminalidade é a principal queixa da prefeita contra o governador, que conseguiu atrair o PDT estadual.

PDT com Paulo e Raquel
Embora o deputado federal Wolney Queiroz tenha avalizado a entrada do PDT na gestão de Paulo Câmara, em Caruaru, a sigla municipal segue com Raquel Lyra (PSDB). O líder do governo é Leonardo Chaves (PDT).  

Barbas de molho
Quem achava que Paulo Câmara tinha tudo para perder o poder no estado, após os nomes da oposição serem apresentados para 2018, está mais cauteloso. De um lado, Fernando Filho (PSB) foi bombardeado em conjunto pelo PT e pela bancada socialista pela proposta de privatização da Chesf. Depois, o senador Bezerra Coelho (PMDB) foi acusado de “traidor” pelo PMDB e PSB e, ontem, o Ministério das Cidades, comandado por Bruno Araújo (PSDB), virou alvo de dois movimentos populares.

Expulsão na agulha
O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, convocou o diretório nacional do partido para discutir a expulsão dos socialistas que apoiam o governo Michel Temer, entre eles, o ministro Fernando Filho.

Na mira
O protesto que parou o Recife, ontem, coincidiu com o fato de Bruno Araújo (PSDB) ter se colocado à disposição para concorrer ao governo em 2018. A manifestação tinha tudo para respingar apenas no tucano, porque era contra a mudança das regras do Minha Casa, Minha Vida, mas perdeu o controle e entrou em confronto com policiais militares em frente ao Palácio.

À espera do “sim”
O senador Armando Monteiro (PTB) apresentou uma emenda de bancada, no valor de R$ 60 milhões, para a segurança pública do estado. Segundo o petebista, os recursos podem ser conseguidos por meio do Fundo Nacional de Segurança Pública para a estruturação e modernização do aparato policial. Os senadores e deputados federais pernambucanos têm até o dia 20 para deliberar se acatam ou não a sugestão do petebista.

O G9 da Câmara
Um grupo de vereadores do Recife tem se articulado para criar o G9, um bloco independente, mais distante do  prefeito Geraldo Julio (PSB). Estão na lista Alcides Teixeira Neto (PRTB), Marcos Aurelio (PRTB), Fred Ferreira (PSC), Ricardo Cruz (PPS), Benjamin da Saúde (PEN), Davi Muniz (PEN), Junior Bocão (PSDB), Almir Fernando (PCdoB) e Romero Albuquerque (PP). Detalhe: André Régis (PSDB) já atua na linha independente.