POLÍTICA

Primeiro passo de um desembarque anunciado O tucano Bruno Araújo se antecipa à reforma ministerial de Temer e deixa o Ministério das Cidades

Publicação: 14/11/2017 03:00

Aline Moura
aline.moura@diariodepernambuco.com.br

Sem apoio do PSDB, dividido entre os que defendem o desembarque do governo e os que ainda são governistas por lealdade ao senador Aécio Neves (PSDB), o ministro das Cidades, Bruno Araújo, pediu exoneração do cargo, ontem, sem aviso-prévio. Ele antecipou-se à reforma que o presidente Michel Temer (PMDB) pretende fazer para tirar os tucanos da Esplanada e abrir espaço para o chamado “Centrão”, que acusa os tucanos de serem infiéis nas votações do Planalto.
Bruno se esforçou para sair da pasta por cima, numa solenidade simbólica do lançamento do Cartão-reforma, com a presença da prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), e de algumas pessoas beneficiadas pelo programa.
Na avaliação de uma liderança que faz oposição ao ex-ministro no estado, mas pediu reserva no nome, o tucano acertou ao sair do governo, porque o PP está fazendo muita pressão sobre Temer para conseguir o comando do Ministério das Cidades. Essa mesma liderança disse ainda: “Bruno era integrante do grupo chamado cabeças pretas do PSDB, considerado mais oxigenado, sendo que, ao se manter no cargo num governo extremamente desgastado, ele só estava queimando capital político. E ainda seria demitido em questão de tempo, porque os tucanos estão divididos”.
Outro fator também pesou para a saída antecipada de Bruno. No último final de semana, o senador Aécio Neves, presidente licenciado do PSDB nacional, tornou-se alvo de vaias e palavras de ordem na convenção estadual de São Paulo. A reação só mostrou como o grupo de Aécio está enfraquecido internamente, depois dos escândalos nos quais ele se envolveu, e, se Bruno permanecesse no Palácio do Planalto, era como se estivesse dando apoio a ele. Tanto que Aécio disse, no domingo, que o PSDB sairia do governo “pela porta da frente”. Bruno, portanto, não esperou pelo aval de Aécio, tomou uma “decisão pessoal”. Disse que esse debate já vinha sendo travado também com Tasso Jereissati (CE) e com Marconi Perillo (GO), que concorrem à presidência nacional do PSDB.
O pernambucano optou por pular essa fogueira com a justificativa te tentar unir o partido, o que parece fazer sentido. O nome do governador paulistano Geraldo Alckmin está fortalecido para disputar a Presidência da República em 2018 e Alckmin defende o desembarque do governo.
Além disso, Alckmin é cotado para assumir a presidência nacional do PSDB no dia 9 de dezembro, na convenção nacional, caso Tasso ou Perillo desistam da disputa. A permanência de Bruno no cargo, portanto, iria deixá-lo isolado e fortalecer o nome do deputado federal Daniel Coelho (PE) para uma disputa majoritária em 2018.
Bruno disse que o PSDB manterá apoio à reforma da Previdência defendida por Temer e agradeceu por ser sido convocado para o cargo. “Agradeço a confiança do meu partido, no qual exerci toda a minha vida pública e já não há mais nele apoio no tamanho que permita seguir nessa tarefa”, escreveu.