POLÍTICA

PDT é o partido campeão em governismo no país Levantamento aponta quais legendas estão mais próximas do poder em todos os estados do Brasil

Publicação: 03/01/2018 03:00

No Ceará e na Bahia, são aliados do governo do PT. No Pará, apoiam o PSDB. Também firmaram alianças com governadores do PSB, do MDB, do PP e do PCdoB. O PDT, legenda que na esfera federal faz oposição ao presidente Michel Temer (MDB) e lançou o nome de Ciro Gomes como candidato ao Planalto em 2018, tem filiados ocupando 22 secretarias estaduais em 13 unidades da federação. É o partido que mais cargos de primeiro escalão ocupa em governos de outros partidos.

A conclusão é resultado de um levantamento da Folha de S.Paulo que apurou o perfil e a filiação partidária dos 547 secretários dos governos dos 26 estados e do Distrito Federal. Ao todo, são 180 secretários filiados ao mesmo partido do governador, 180 filiados ou indicados por partidos aliados e 184 sem filiação partidária.

Depois do PDT, completam o topo do ranking de cargos em primeiro escalão em governos aliados MDB, PSB, PSDB e PSD, nessa ordem.

Os dados do levantamento apontam para uma capacidade camaleônica dos partidos em apoiar governos de diferentes linhas ideológicas. Peemedebistas (hoje emedebistas) são parceiros do PT no Piauí e em Minas, a despeito da firme oposição no plano nacional desde a eclosão do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). A recíproca acontece em Sergipe, onde petistas são aliados do governador Jackson Barreto (MDB).

O PDT firmou a maioria de suas alianças com governos de esquerda, mas também tem parcerias com o PSDB no Pará e no Paraná e cargo no primeiro escalão do governo do MDB no Rio de Janeiro.

“Cada estado tem sua característica particular. Em muitos casos, a nomeação é mais da relação pessoal do filiado com o governador do que uma aliança institucional entre partidos”, afirma o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi.

LICENÇA
Os secretários estaduais pedetistas Thiago Pampolha (da pasta de Esporte do Rio) e Edgar Bueno (de Assuntos Estratégicos do Paraná) licenciaram-se da sigla para assumir ou permanecer no cargo.

Por outro lado, o partido trouxe para seus quadros, nos últimos meses, secretários estaduais que não tinham filiação partidária no Acre, no Espírito Santo e em Alagoas.

Neste último, o PDT está em um típico caso de “um pé em cada canoa” - aderiu ao governo Renan Filho (MDB) e ocupa cargos na gestão do prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), provável adversário do governador em 2018.

A presença dos partidos no primeiro escalão também reflete a força da legenda na negociação por cargos. Em muitos casos, o espaço conquistado nos governos aliados é maior do que o tamanho com que o partido saiu nas urnas.

É o caso do PCdoB, que, com uma bancada de 12 deputados federais, ocupa dez secretarias em seis governos aliados.

Além da parceria com os governos petistas, o PCdoB também compõe com governadores como Renan Filho (MDB), de Alagoas, Paulo Câmara (PSB), de Pernambuco, e Robinson Faria (PSD), no Rio Grande do Norte. A maior parte das pastas ocupadas pelo partido, contudo, tem baixo orçamento.

“A gente procura colaborar com os governos em áreas que temos afinidade, como esporte, cultura e direitos humanos”, afirma o deputado federal Daniel Almeida (PC doB-BA). Na Bahia, o partido tem a pasta do Trabalho e Esporte, além da Secretaria de Políticas para Mulheres.

Outro exemplo é o PPS, que tem uma bancada de apenas nove deputados federais, mas teve força para emplacar cargos de primeiro escalão em oito governos - mais do que o DEM, que tem 30 deputados federais.

FORÇA NA CÂMARA

Outras siglas com maior bancada na Câmara, como PR, PRB e PSC, têm menos força nos estados e baixa presença em secretarias. Em três casos, o principal partido aliado possui mais secretarias do que o do próprio governador, tornando-se uma espécie de “sócio majoritário” da gestão de outra legenda. No Ceará, por exemplo, comandado pelo governador petista Camilo Santana, o PDT ocupa quatro secretarias, incluindo algumas estratégicas como Fazenda e Infraestrutura. O PT, por sua vez, ocupa três pastas.

O protagonismo pedetista é resultado das costuras para a eleição de 2014, quando os ex-governadores Cid e Ciro Gomes apadrinharam a candidatura de Santana.

O mesmo acontece em Santa Catarina, onde o MDB ocupa cinco secretarias, enquanto o PSD do governador Raimundo Colombo ocupa quatro. No Espírito Santo, o PSDB tem mais secretarias que o MDB, partido do governador Paulo Hartung.

Há ainda casos de secretários filiados a partidos adversários de seus respectivos governadores. No Ceará, o tucano Maia Júnior assumiu a secretaria de Planejamento do governo petista de Camilo Santana e tem implementado medidas de contenção de despesas e equilíbrio fiscal, bandeiras históricas do PSDB. Ainda há um emedebista como secretário no governo Tião Viana (PT) no Acre e um filiado ao PCdoB no primeiro escalão da gestão de Pedro Taques (PSDB-MT). (Da Folhapress)

Dentro da máquina
Partidos que mais ocupam cargos de primeiro escalão em governos de outros partidos

Posição  Partido  Nº de secretarias em governos aliados  Nº de governos aliados que possuem secretarias
1º        PDT        22                        13
2º        MDB        19                        9
3º        PSB        18                        10
4º        PSDB        16                        11
5º        PSD        15                        11
6º        PP        14                        11
7º        PCdoB        10                        6
8º        PT        9                        6
9º        PPS        7                        7
10º        DEM        7                        7

Perfil dos secretariados
  • 180 secretários do mesmo partido do governador
  • 180 secretários de filiados ou indicados por partidos aliados ao governador
  • 184 secretários sem filiação partidária
  • 27 governadores no país
  • 547 secretarias estaduais ao todo
  • 20 secretarias por governo em média
  • 30 secretarias é quanto tem o governo do Maranhão, o mais inchado
  • 10 secretarias é a quantidade no governo do Mato Grosso do Sul, o mais enxuto