POLÍTICA

Estratégia do passado como arma no presente

Aline Moura
aline.moura1@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 13/01/2018 03:00

A oposição ao governo Paulo Câmara aposta no ano de 2018 para virar o jogo e tirar o PSB do poder com um discurso unificado, do Sertão ao litoral, na tentativa de imprimir uma nova versão do que fez Eduardo Campos em 2006. Os líderes oposicionistas não definiram quem será o candidato ao Palácio do Campo das Princesas, mas o grupo que vai participar da disputa é formado por um time de ministros e aliados do governo Michel Temer (PMDB), a exemplo do senador Fernando Bezerra Coelho (PMDB), dos ministros de Educação e Minas e Energia, respectivamente Mendonça Filho (DEM) e Fernando Filho (sem partido), além do deputado federal e ex-titular da pasta das Cidades Bruno Araújo (PSDB). O bloco ainda conta com a presença do senador Armando Monteiro Neto (PTB), único a votar contra o impeachment de Dilma Rousseff (PT). O petebista ainda articula ser escolhido para defender o palanque de Luiz Inácio Lula da Silva, uma hipótese cada vez mais distante.  

Segundo Fernando Bezerra Coelho (FBC), há diferenças e semelhanças desse grupo com o palanque construído por Eduardo em 2006, quando concorreu ao governo do estado contra Mendonça Filho (DEM). Eduardo teve, naquela época, o apoio inicial de dois prefeitos e cresceu no segundo turno, após as denúncias que atingiram o então favorito da disputa, Humberto Costa (PT).

Já o bloco oposicionista atual, de acordo com  FBC, tem o engajamento de aproximadamente 45 prefeitos, e várias lideranças que ainda aguardam o momento certo para se pronunciar e encerrar a polêmica sobre quem fica no comando do MDB. Por outro lado, diz o senador, a semelhança com Eduardo é o entusiasmo do grupo de mudar os rumos de Pernambuco. Segundo ele, Paulo Câmara não representa mais o antecessor, não tem capacidade de juntar os diferentes e reagir às dificuldades. “Chegou a hora de virar a página”, diz FBC, que é o mais cotado para encabeçar a chapa de oposição a Paulo Câmara.

No grupo de oposição, FBC foi o primeiro a se colocar como candidato, chegou a dizer que venceria Paulo Câmara por uma diferença de muitos votos, mas a iniciativa gerou um desconforto com Armando Monteiro Neto e ele precisou recuar, falar em nome do projeto político do grupo. Nos bastidores, Armando tem sido pressionado pelo grupo de empresários que sempre o apoiou a disputar novamente o Senado, mas ele tem o sonho de concorrer ao governo do estado.  

Tanto FBC como Armando têm sintonizado o discurso contra o governo, citando o enfraquecimento do Pacto Pela Vida, especialmente em 2017, quando completou 10 anos de existência, mas não conseguiu frear o aumento dos homicídios em Pernambuco. Foram 5.030 de janeiro a novembro, o maior índice negativo do pacto. Os dois focam, ainda, na importância da retomada do crescimento econômico do estado, que perdeu a liderança conquistada no governo Eduardo e voltou a ficar atrás da Bahia e Ceará. Eles lembram que, em dados recentes, é possível mostrar que o Ceará usou 12,5% de sua receita em investimentos, a Bahia, 10,8%, e Pernambuco,  5,5%.

O discurso dos líderes oposicionistas também será municiado pelo levantamento realizado pela bancada de oposição da Assembleia Legislativa, que percorreu 65 municípios e realizou reuniões plenárias em oito cidades polos. Os 13 deputados estaduais oposicionistas fizeram um raio x do estado, apontando problemas com obras inacabadas, a exemplo da duplicação da PE-60 e de projetos que, para eles, não receberam a devida atenção do governo na arrecadação de recursos, como a duplicação da BR-104, chamada a Rodovia do Jeans -, devido ao tráfego de comerciantes e consumidores que vão à região de Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe.

Na avaliação de socialistas, a oposição não tem consistência para ganhar a eleição, por não ter capacidade de representar o novo, a esperança. O PSB frisa que a principal fragilidade do grupo é estar ligada a Michel Temer, que tem uma aprovação popular de 6%. O próprio Armando, que votou em Dilma Rousseff em 2014, entrou em rota de colisão com a base petista após votar na reforma trabalhista e se desgastou bastante. Outro fator que pesa contra o bloco é a força de Lula no Nordeste. Todas as candidaturas ao governo, aliás, só vão traçar um cenário mais completo após o julgamento de Lula na Operação Lava-Jato, que será no dia 24.