O tempo de decisão de cada um Apesar da movimentação do PT para tentar acelerar uma aliança com o PSB, que tenha reflexo nacional, socialista diz que partido vai aguardar

Rosália Rangel
rosalia.rangel@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 13/03/2018 03:00

Mesmo com a movimentação do PT para apressar um posicionamento mais efetivo do PSB em relação a uma aliança nacional, os petistas terão que esperar um pouco mais. Ontem, ao falar sobre o assunto, o governador Paulo Câmara (PSB) afirmou que o momento é “de aguardar” diante do cenário confuso que se apresenta na política neste momento. Ele reforçou que a única decisão do partido é de caminhar com aliados de centro-esquerda e para isso os socialistas estão conversando com todos que militam nesse campo.

“O partido já se posicionou claramente no seu congresso sobre alianças. Elas vão ser decididas mais na frente (junho e julho), mas o caminho é o de centro-esquerda. Não vamos deixar de conversar com nenhuma força de centro-esquerda que esteja à disposição de conversar conosco”, assegurou o governador, que também é vice-presidente nacional do PSB. Ele falou a respeito de alianças, que também envolve uma possível reaproximação com o PT, ao ser questionado sobre o último encontro da cúpula do PT/PE com o ex-presidente Lula e a presidente nacional da sigla, Gleisi Hoffmann, na sexta-feira passada, em São Paulo.

Após a reunião, a direção nacional do PT emitiu uma nota afirmando que o partido está trabalhando na construção de uma aliança programática com o PCdoB, PSB, PDT e PSol, mas que isso não impede o debate sobre candidatura própria em Pernambuco. Isso levou petistas a comentarem, em reserva, que o encontro, na verdade, serviu de estratégia para forçar o PSB a se posicionar de forma mais firme na defesa de uma aliança com o PT na eleição para presidente da República.

Na avaliação desses petistas, Paulo Câmara precisa fortalecer seu projeto de reeleição e uma aliança local esbarra em algumas dificuldades para ser construída e por isso a necessidade de uma contrapartida no campo nacional. Estão no páreo para ganhar a indicação do partido para disputar a eleição estadual a vereadora do Recife Marília Arraes, o deputado Odacy Amorim e José Oliveira.

Já sobre a participação do PSB na disputa presidencial, Paulo Câmara destacou que as três hipóteses discutidas no congresso nacional do partido, realizado no início de março, estão válidas. “Uma delas pode acontecer. Vamos esperar esses próximos meses que são muito importantes para definições. Antes disso é muito difícil ter algum cenário mais claro porque não se tem clareza nacionalmente”, observou. O governador se referiu aos caminhos que o PSB poderá seguir na campanha presidencial, que são: candidatura própria; coligar com um partido que tenha identidade programática com o PSB; ou partir para neutralidade, não se aliando formalmente com nenhum candidato a presidente. O anúncio foi feito  pelo presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, no encerramento do congresso.