POLÍTICA

O perde e ganha das legendas Janela partidiária foi usada sem cerimônia pelos deputados estaduais: PP ficou com maior bancada e PSDB não tem mais representantes na Alepe

CLÁUDIA ELOI
claudia.eloi@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 16/04/2018 09:00

Com o argumento de que precisaram mudar de partido para sobreviver eleitoralmente e enfrentar o pleito de outubro com maior chance de vitória, os deputados da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) mudaram de sigla sem nenhuma cerimônia. Pelo menos 15 deputados estaduais dos 49 trocaram de legenda. A “dança das cadeiras” proporcionou uma nova “geografia política” na Casa. Algumas siglas aumentaram consideravelmente a bancada, como a do PP, que superou até mesmo o PSB do governador Paulo Câmara. Já outras, vistas como legendas de peso no país, a exemplo do PSDB, saíram completamente de cena.

Os tucanos ficaram sem nenhum integrante na Assembleia com o término da janela partidária. Antes, o partido era representado pelos deputados Antônio Moraes e Terezinha Nunes. Moraes foi para o PP e Terezinha, por ter ficado na suplência, saiu do Legislativo após o retorno do secretário estadual da Casa Civil, o deputado Nilton Mota (PSB). “Após 16 anos, o PSDB se habilita a participar da eleição majoritária no plano estadual. E diferentemente do pleito passado, quando não elegemos deputados estaduais titulares, devemos crescer nossa participação na Assembleia Legislativa, elegendo ao menos três deputados. E também estamos confiantes de que vamos preservar nossas duas vagas na Câmara Federal”, afirmou o presidente estadual da sigla, Bruno Araújo.

Outro partido que deixou de ter representante no Legislativo estadual foi o histórico PDT. A sigla contava com 4 deputados, mas todos, incluindo o presidente da Casa, deputado Guilherme Uchoa (atualmente no PP), migraram para outras legendas. O PSL também desapareceu após a saída dos deputados Beto Acioly (migrou para o PP) e Socorro Pimentel (para o PTB). O Podemos, que antes era representado por Joel da Harpa (foi para o PP), também zerou.

Disputando com o PSC a vaga de Senado na chapa do governador Paulo Câmara (PSC), o PP “roubou a cena” no quesito filiações na Assembleia Legislativa. A sigla aumentou de 6 para 14 deputados estaduais. “Estamos com candidaturas em todas as regiões. A expectativa é alcançarmos 1,4 milhão de votos na chapa de estadual e elegermos 16 deputados para a Assembleia”, comentou o presidente estadual, Eduardo da Fonte.

No PSB, do governador Paulo Câmara, a bancada foi reduzida de 14 parlamentares para 12. A sigla perdeu os deputados Vinícius Labanca e Roberta Arraes, que trocaram o ninho socialista pelo PP. “Analisamos que foi um momento positivo pelo fato de parlamentares que compõem a Frente Popular, como o PP e o PSC, terem crescido. Saímos mais fortes tendo em vista o fortalecimento dos partidos que compõem a base do governo Paulo Câmara”, defendeu Nilton Mota (PSB).

No PT, a sigla encolheu de três para dois deputados com a saída do deputado Paulinho Tomé. No MDB, a briga pelo controle da sigla entre a direção do partido em Pernambuco e o senador Fernando Bezerra impactou a composição da legenda na Assembleia. O MDB contava com três deputados, mas ficou apenas com um. O deputado Tony Gel foi o único a permanecer e o deputado Ricardo Costa trocou o MDB pelo PP. Já o deputado Gustavo Negromonte, por ser suplente, deixou o Legislativo para dar lugar ao titular, deputado Alberto Feitosa (Solidariedade).

Com o retorno de Feitosa, o Solidariedade passa agora a ter representante na Assembleia. No PTB, o partido aumentou sua base, saindo de 3 para 5 deputados. Ingressaram na legenda os deputados Álvaro Porto e Socorro Pimentel. Segundo o líder da oposição, deputado Sílvio Costa Filho (PRB) é natural a mudança de legenda neste momento. “Diante da perspectiva de renovação de mandatos vejo com tranquilidade a troca de partido. A oposição ganhou um deputado. O ingresso de Álvaro fortalecerá o trabalho da oposição nos próximos meses”.

O que mudou

Nova composição da Assembleia Legislativa de Pernambuco


PP
Saiu de 6 deputados para 14

PSC
Ampliou de 1 para 3 deputados

MDB
Reduziu de 3 para apenas 1 deputado

PSDB*
Não tem mais representação na Assembleia

*Antes tinha dois deputados. Antônio Moraes foi para o PP e Terezinha Nunes estava na suplência e com a volta de Nilton Mota (PSB) teve que abrir mão do mandato.


PTB
Ampliou de 3 para 5 deputados

PT
Encolheu de 3 deputados para 2

Solidariedade
Passou a ter 1 deputado com o ingresso de Alberto Feitosa

PR, PSD e PRB
Permaneceram do mesmo tamanho

PSB
Antes tinha 14 deputados e perdeu 2

PSL
Tinha dois representantes e ficou sem nenhum deputado