POLÍTICA

NO RECIFE » Boulos em ritmo de campanha

Publicação: 17/05/2018 08:30

Quem ouviu e viu o futuro presidenciável do PSol no Recife, ontem, Guilherme Boulos, teve um revival do PT na sua origem, nos anos 1980, e dos antigos discursos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lhe rasgou elogios no dia em que teve a prisão decretada. Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Boulos cumpriu uma extensa agenda na capital, ontem, ao lado da précandidata ao governo do estado pelo PSol, Dani Portela. Esteve na Assembleia Legislativa, reuniu estudantes, movimentos sindicais, sociais e visitou a ocupação Marielle Franco, na Praça da Independência, no centro da cidade.

O pré-candidato que estava ao lado de Lula no dia em que ele foi preso, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, retomou praticamente o mesmo discurso que embalou as primeiras campanhas do petista, com atualização de críticas às reformas da Previdência e trabalhista. Boulos deu ênfase à defesa dos trabalhadores, a democratização da mídia, defendeu as reformas política e agrária, disse ser necessário taxar as grandes fortunas e falou sobre a corrupção no Congresso. Seus defensores estavam emocionados, como relatou o vereador Ivan Moraes Filho (PSol).

Para Boulos, a governabilidade pode ser conquistada sem toma-lá-dá-cá da Câmara e do Senado, por meio de plebiscitos, democratização da mídia e participação da sociedade na política. Boulos também fez duras críticas ao MDB e admitiu que Lula errou ao querer transformar o Brasil com as mesmas forças que sempre o governaram no passado.

“O PMDB nunca ganhou uma eleição presidencial em 30 anos, mas deu as cartas e chantageou todos os governos. Vamos colocar o MDB na oposição porque não queremos governar com o toma-ládá-cá. É um erro acreditar que essa é a única forma de governar o Brasil”, destacou ele, ressaltando que a sociedade não pode criticar uma situação e, ao mesmo tempo, exigir que o próximo presidente governe com os mesmos setores e aliados de sempre. “Ingenuidade é defender que se governe diferente e percorrer os mesmos caminhos de sempre”. Numa das capitais onde Lula continua com a popularidade alta, mesmo preso, Boulos conseguiu vestir a roupa da chamada esquerda, com o resgate de um discurso que levou multidões de militantes petistas às ruas durante três décadas, 1980, 1990 e início de 2000, antes da eleição de Lula. (Aline Moura)