SUPERESPORTES

Diario esportivo

Fred Figueiroa
Twitter: @fredfigueiroa
fredfigueiroa@gmail.com

Publicação: 13/09/2017 03:00

Entre a história e o colapso

Em meio ao caos, o início do confronto contra a Ponte Preta nas oitavas de final da Sul-americana surge como uma (difícil) oportunidade para o Sport tentar se reaproximar do seu eixo. Lógico que está longe de ser o momento ideal para enfrentar um duelo crucial na temporada - que pode colocar o clube em uma inédita quartas de final de uma competição internacional. O time vem de uma série de atuações “travadas”, iniciada justamente no empate em 0 a 0 contra o mesmo adversário de hoje, não faz um gol há quatro partidas e tem seus principais jogadores em profunda crise técnica. Assim, uma oportunidade histórica parece  minimizada diante do colapso em que o clube se inseriu nas últimas semanas. Ironicamente não é a primeira vez que isso acontece. Resta, entretanto, saber como será a reação dos jogadores dentro de campo. O fio de esperança do Leão em se reconstruir no ano passa diretamente por esta reação.

Resta o profissionalismo
O ambiente interno, todos sabem, é o pior possível. Uma soma de erros nas últimas semanas - em várias esferas - transformou o que poderia ser uma oscilação em crise profunda. Corrigir não é nada simples. Não há nada que possa ser dito ou feito por Luxemburgo para apagar o estrago da sua entrevista em Porto Alegre. Por mais que agora suavize o discurso, como tem tentado desde a última sexta-feira, o dano é irreversível. Ele sabe. E tem plena consciência que a situação fugiu do seu controle. Não há nada que possa fazer para retomar as rédeas. O treinador e, consequentemente, o clube dependem de um discernimento dos jogadores que, convenhamos, é raro no meio do futebol. Uma prova de profissionalismo capaz de superar diferenças e traições. Jogar pelo clube que honra seus compromissos em dia e garante a estrutura ideal de trabalho. Jogar pelas suas próprias carreiras e deixar os problemas coletivos para “depois”. E, claro, o treinador voltar a se comportar como treinador. Cuidar dos problemas do time. E são muitos. Fácil escrever aqui. Difícil acontecer na prática. Mas hoje é a única chance. Pelo menos a única sem rompimento.

Obrigação
Como o treino de ontem foi fechado e não houve entrevista coletiva, difícil projetar o que passa pela cabeça de Luxemburgo para montar a equipe. Três mudanças em relação ao time que iniciou o jogo contra o Avaí são obrigatórias: Henriquez está suspenso, Wesley não está inscrito e Everton Felipe lesionado. Para completar, Osvaldo também não pode atuar no torneio. Independentemente das escolhas, o fundamental é que o treinador utilize a força máxima. Abdicar da Sul-americana agora seria mais um erro imperdoável do técnico com o aval da direção. A competição internacional foi tratada como prioridade pelo presidente Arnaldo Barros desde sua campanha e teve este caráter reforçado com a esdrúxula decisão de abandonar a Copa do Nordeste. Ou seja, moralmente, é uma obrigação do Sport entrar 100% - mesmo que a torcida esteja distante neste momento. Isso sem contar com o fato de que uma eventual vitória terá efeito imediato na recuperação da motivação e confiança. A sequência de seis jogos sem vitória sufoca o ambiente.

Possíveis formações
Existe a perspectiva de um Sport bem diferente hoje à noite. Nas mudanças obrigatórias, a única certeza é a volta de Durval no lugar de Henriquez. Nas vagas de Wesley e Everton Felipe, o leque de opções é maior. O caminho natural seria acionar Lenis e Rogério abertos no ataque, com Diego Souza voltando a jogar um pouco mais recuado, na criação, onde sempre rendeu melhor. Existe ainda a opção de Thomás ficar com uma dessas vagas no ataque - mantendo a mesma lógica de organização tática. Um outro caminho seria armar a equipe com três volantes: Rithely, Patrick e Anselmo. Este trio abriria a possibilidade para uma série de variações ofensivas, inclusive com um tradicional 4-4-2, tendo Diego no meio e uma dupla de ataque formada por André e Rogério (ou Lenis). Além das substituições obrigatórias, paira no ar a expectativa pela entrada de Raul Prata na vaga de Samuel Xavier - um dos que vive um “apagão” técnico. E, por fim, também se cogita a entrada de Sander no time, abrindo mais uma possibilidade: A de voltar a escalar Mena avançado na esquerda. Uma formação que funcionou na própria Sul-americana inclusive.