SUPERESPORTES

Diario esportivo

por Fred Figueiroa

Publicação: 07/12/2017 03:00

Cresce o abismo

O futebol de Pernambuco está diante do maior abismo da sua história - com o Sport estabilizado em um extremo e Santa Cruz e Náutico juntando os cacos de (mais) uma temporada trágica em outro. Este será o tema do meu texto na edição do próximo fim de semana - onde farei uma análise das causas e consequências deste cenário, passando diretamente pelas duas décadas - completadas este ano - de “segurança financeira” do Sport desde sua entrada no Clube dos Treze, em 1997. Depois de dez anos que “descolaram” o rubro-negro do patamar dos seus rivais diretos, a entrada no Clube dos Treze acabou potencializando as diferenças em uma escala crescente. Erros gravíssimos de um lado e acertos do outro criaram o abismo em que a realidade do futebol estadual se inseriu. E este não se limita apenas a diferença nas divisões do Campeonato Brasileiro. A questão estrutural e financeira é muito mais determinante. O salário de um único jogador do Sport será suficiente para pagar as folhas somadas de Santa e Náutico para 2018. Na Série C, os dois clubes projetam gastar em torno de R$ 200 mil com a comissão técnica e o elenco. Peças principais do Leão, como Diego Souza e André, têm um faturamento mensal próximo de R$ 400 mil.

Futebol de Pernambuco?
Reservo o detalhamento deste abismo para o próximo domingo. A introdução ao tema foi apenas para reforçar o conceito de que o termo “futebol de Pernambuco” hoje é oco. Ou uma mera definição geográfica. Não existem elos entre os três clubes. São duas realidades completamente diferentes e precisam ser analisadas separadamente. Por quem está de fora, como é o meu caso, mas fundamentalmente por quem está de dentro. E, ao menos até onde se pode medir, não há um único sinal de que haverá uma reversão de cenário a curto ou médio prazo. Os contratos com a TV estão assinados até 2024 pelos três clubes com proporções semelhantes a de hoje. O conceito de rivalidade está em processo de transição. O estadual vai perdendo espaço para o regional e o nacional. Um curso natural. Afinal são times que só disputam a mesma competição por três meses no ano - em jogos com um nível de interesse muito menor.

Ampliando as diferenças
O jornalista Cassio Zirpoli fez um levantamento sobre a arrecadação dos sete maiores clubes do Nordeste nesta temporada com receitas de cotas de TV e participação e de premiações por avanços de fase e classificação. Os números servem de esboço para projetar a receita anual de cada um - o que só se tornará público em abril, quando os clubes são obrigados a divulgar os balanços financeiros da temporada anterior. Mas o cenário já está estabelecido. Bahia, Sport e Vitória habitam outro patamar - com mais de R$ 50 milhões arrecadados por cada um. O Tricolor teve o mais ganho (R$ 57 milhões) contra R$ 54 milhões do rubro-negro do Recife e R$ 51 milhões do seu rival baiano. Juntos dominam 88,6% de todo o montante arrecadado pelos sete maiores da região.

Cinco degraus abaixo
Os clubes do segundo bloco de arrecadação no segmento em questão receberam menos de 20% do faturamento do Vitória. Em ordem: Santa Cruz (R$ 9,8 milhões), Náutico (R$ 7,6 milhões) e Ceará (R$ 6,3 milhões). A diferenciação positiva em favor do Tricolor veio com a boa campanha na Copa do Nordeste (semifinal) e com a garantia de ter iniciado a Copa do Brasil nas oitavas de final - juntas renderam R$ 2,6 milhões. Em um terceiro patamar aparece o Fortaleza que, por disputar a Série C e não ter avançado na Copa do Brasil e no Nordestão, só somou R$ 1,7 milhão. Faturamento que, desde já, serve de alerta para os dois pernambucanos rebaixados à terceira divisão. Com a diferença que o Fortaleza tem receitas muito maiores nos aspectos que não entraram nessa conta, como patrocínio, mensalidades dos sócios e renda dos jogos. Ano passado, a receita final ultrapassou R$ 20 milhões - um patamar que Santa e Náutico nunca atingiram longe da 1ª divisão.