SUPERESPORTES

Diario esportivo

por Fred Figueiroa

Publicação: 03/01/2018 03:00

A primeira vitória do ano

Foi desta forma que o Santa Cruz tratou o retorno do clube ao G20 da Timemania - depois de uma intensa mobilização conduzida pelos perfis oficiais do clube, pelo presidente Constantino Júnior, diretores e torcedores na última semana de 2017. O resultado foi impressionante. No último sorteio da loteria no ano, 10% de todas as apostas foram efetuadas por tricolores. Foram mais de 111 mil bilhetes. Mais que o dobro do 2º colocado no ranking semanal, o Flamengo (50 mil apostas) e quase 70 mil acima do Avaí, que era o alvo principal dos pernambucanos. A equipe catarinense ocupava a 20ª posição e o Santa a 21ª na lista anual. A ultrapassagem aconteceu no último sorteio -terminando com uma diferença final de 16 mil apostas em favor dos pernambucanos. Essa posição conquistada garantiu uma economia mensal de R$ 80 mil para o clube do Arruda. A Timemania destina R$ 2 milhões para os 20 primeiros colocados no ranking anual de apostas - dinheiro que é automaticamente abatido nas dívidas tributárias e trabalhistas. Ou seja, R$ 160 mil por mês. Caso tivesse terminado em 21º, o Santa receberia 50% deste valor.

Efeito multiplicador
A “vitória” na Timemania tem uma importância concreta - afinal qualquer recurso que entre no Arruda este ano faz muita diferença (R$ 2 milhões então…) - e um peso simbólico que pode ter um efeito multiplicador. Depois de uma temporada em que a torcida esteve distante e cabisbaixa, a mobilização em torno da loteria acabou mudando a relação de alguns torcedores com o clube. Mais que uma reaproximação, um espécie de abraço. A Timemania virou uma causa, uma bandeira, uma forma de demonstração de amor incondicional ao Tricolor - resgatando parte da essência da intensa participação popular nas campanhas das Séries D e C. Agora cabe ao clube extrair o máximo deste momento, engatilhando uma nova campanha de sócios - que possa pavimentar uma nova receita fixa real.

Projeção de receita
Se a torcida não for extremamente participativa, as projeções financeiras para o Santa Cruz em 2018 são sombrias. Entre cotas de TV e premiações, o Tricolor tem garantido apenas R$ 2,4 milhões. Praticamente a mesma do Náutico, caso o alvirrubro garanta seu lugar na fase de grupos da Copa do Nordeste (iniciará a eliminatória contra o Itabaiana/SE na próxima segunda-feira). Na verdade, as situações de todos os nordestinos da Série C são equivalentes. O Santa tem direito a R$ 1 milhão pela fase de grupos da Copa do Nordeste, R$ 950 mil pela disputa do Estadual (valores já antecipados) e R$ 500 mil pela estreia na Copa do Brasil. Eventuais classificações à 2ª fase do regional e da Copa do Brasil (enfrenta o Fluminense de Feira de Santana, em jogo único, fora de casa, com a vantagem do empate) já acrescentariam mais R$ 1 milhão nesta conta.

A única saída
Não bastasse as diferenças impostas pelo sistema de distribuição de cotas de TV no país, o atual baixo valor de mercado para patrocínios e - fundamentalmente - o dano causado pelos rebaixamentos consecutivos (que derrubaram uma receita de R$ 36 milhões para uma que dificilmente chegará a R$ 15 milhões), o distanciamento dos torcedores torna o buraco financeiro ainda mais profundo. Em 2017, disputando 32 jogos como mandante, o Santa arrecadou apenas R$ 2,2 milhões. Seria preciso quadruplicar este número nesta temporada para recolocar o clube em uma condição financeira minimamente competitiva. Sobre o número de sócios e sua respectiva receita, esta é uma caixa-preta que ninguém de fora faz a menor ideia do quanto “pesa”. Mas, seja quanto for, hoje não tem força suficiente para manter o clube operando no positivo - mesmo com a drástica redução na folha de salários do futebol (R$ 200 a R$ 250 mil) e do administrativo. Mas a mobilização em torno da Timemania abriu uma porta. Ensinou o caminho. O único.