SUPERESPORTES

Diario esportivo

por Fred Figueiroa

Publicação: 11/01/2018 03:00

Orçamentos

Na noite da última terça-feira, o Conselho Deliberativo do Sport aprovou o orçamento do clube para 2018, autorizando mais uma vez (tornou-se uma prática comum) a antecipação de 20% da cota de TV do Campeonato Brasileiro. Em dezembro, os conselheiros haviam negado o primeiro projeto apresentado - forçando a atual gestão a detalhar melhor os números e o real momento que o Leão atravessa fora de campo. Não mudou muita coisa entre a negativa de dezembro e a aprovação desta semana. Nas contas apresentadas pelo presidente Arnaldo Barros, o Sport tem uma previsão de R$ 108 milhões de receita (sem prever a venda de jogadores) contra R$ 123,9 milhões de despesa. Um déficit de quase R$ 16 milhões que, assim, manteria uma espécie de ciclo vicioso de antecipação de cotas.

Realidade & fantasia
Numa visão mais otimista, entretanto, existe uma possibilidade de reduzir esse saldo negativo. A venda de Diego Souza - que injetou R$ 10 milhões nos cofres - já encurta essa diferença. O restante do caminho pode ser “recuperado” dentro de campo. No planejamento apresentado terça, o Sport traça como meta conseguir R$ 13,5 milhões de premiação, alcançando as quartas de final da Copa do Brasil e a 6ª posição na Série A. Extremamente otimista. Quase fantasioso, diria.

Efeito dobrado
Se conseguisse mesmo a 6ª posição no Brasileiro - algo bastante improvável pelo histórico do clube (ficou entre os seis apenas uma vez em oito participações na era dos pontos corridos) - o Sport ainda teria um retorno financeiro considerável em 2019 - ano que marcará o novo sistema de divisão de cotas de TV, com parte dos recursos sendo distribuída de acordo com a colocação na Série A deste ano. A Globo dividirá 40% da verba igualmente, 30% pela colocação no ano anterior e 30% pelo número de jogos transmitidos.

Abismos & novos mercados
A partir da apresentação do orçamento do Sport, o jornalista Cassio Zirpoli - aqui do Superesportes - fez um levantamento em seu blog dos orçamentos dos sete maiores clube do futebol do Nordeste. A ampliação do abismo que separa os três “cotistas” da região dos demais começa a consolidar a formação de um novo mercado e, naturalmente, o fortalecimento da rivalidade regional, preechendo lacunas do distanciamento estadual. Pernambuco hoje é o símbolo dessa diferença no país. Enquanto o Sport projeta R$ 108 milhões em seu caixa, com chance real de ampliar esse número para pouco mais de R$ 120 milhões (em 2016, ano do último balanço oficial divulgado, fechou em R$ 128 milhões), o Náutico prevê R$ 15 milhões (podendo atingir R$ 16,2 mi) e o Santa Cruz tem o menor orçamento entre os sete principais da região: R$ 14 milhões. É o único clube, inclusive, que não discutiu esse número em seu conselho deliberativo. O fato dos dois pernambucanos ficarem atrás dos cearenses não se explica pelo duplo rebaixamento à Série C. Na B, o Ceará já tinha uma receita bem maior e, mesmo na C, o Fortaleza tinha um ganho equivalente (ou superior) ao de Náutico e Santa.

O primeiro degrau
No mesmo patamar do Sport estão os dois clubes de Salvador. O Bahia tem projeção de receita de R$ 119 milhões e o Vitória de R$ 94 milhões. Assim como o Leão do Recife, ambos já ultrapassaram a marca dos R$ 100 milhões de receita desde 2016 e certamente repetiram esse número em 2017. Os balanços oficiais só são publicados no mês de abril do ano seguinte. No planejamento apresentado pelo Tricolor da Boa Terra chama a atenção a previsão de repasse pelos direitos de transmissão na TV: R$ 69,1 milhões – incluindo todas as plataformas, com o pay-per-view cada vez mais importante. Lembrando que o trio nordestino parte da mesma base de R$ 35 milhões na TV aberta. Ainda entram na conta as cotas da TV fechada, internet, transmissão internacional e - o que começa a ficar cada vez mais importante - Pay Per View.  O Bahia ganhou mais que o dobro do Sport em 2017. E essa divisão era baseada em uma pesquisa de torcida feita numa parceira entre Ibope e Datafolha. Longe de ser algo preciso para destinar milhões de reais. Este ano, enfim, o critério utilizado será o número de cadastros de assinantes no PFC.