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Festa e força no interior Mais unidos após criação de grupo, intermediários voltam a receber Trio de Ferro em casa pelo Estadual

Diego Borges
Especial para o Diario
esportes@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 13/01/2018 03:00

Após quatro anos utilizando o formato com hexagonais, o Campeonato Pernambucano, que inicia nesta quarta-feira, volta a ser disputado por uma fórmula mais democrática este ano. Primeiro, todos os clubes brigam pelo título e contra o rebaixamento desde a primeira fase. Além disso, as equipes do interior junto ao América também têm chances de receber Náutico, Santa Cruz e Sport em casa. A competição, enfim, volta a ter um pouco mais da cara multicultural do estado invadindo e fortalecendo o interior. Dentro e fora de campo.

Recebendo individualmente apenas 10% do valor da cota que a televisão destina a cada um do Trio de Ferro da capital (R$ 110 mil para cada), os clubes intermediários enxergaram na mudança de regulamento, forçada pelo enxugamento no calendário do futebol brasileiro, uma oportunidade de unir forças e fortalecer politicamente o poder de decisão do interior. Afogados da Ingazeira, América, Belo Jardim, Central, Flamengo, Pesqueira e Vitória criaram o G7 do estado, crescendo para oito clubes, com a adição do Salgueiro em seguida.

“Foi uma decisão para buscar o melhor do futebol do interior. Antes, os grandes já entravam sem chance de cair e com regalias, e juntos nós conseguimos uma fórmula mais justa. Também já estamos negociando patrocínios e cotas melhores. Tivemos pouco tempo neste ano, mas teremos boas novidades a partir de 2019 (quando encerra o contrato com a TV)”, explica o presidente do Vitória, Paulo Roberto, idealizador do grupo e crítico da distribuição de renda no campeonato. “De que adianta Náutico, Santa Cruz e Sport criticarem a distribuição de cotas a nível nacional e reproduzir o mesmo abismo a nível regional? Isso é hipocrisia”, acrescenta.

Viagens

A distância que cada clube percorrerá no Estadual

Salgueiro     3.964 km
Afogados    2.882 km
Santa Cruz    2.353 km
Sport    2.181 km
Flamengo    1.898 km
Pesqueira    1.726 km
Vitória*    1.670 km
Central    1.484 km
Belo Jardim    1.331 km
América    1.120 km
Náutico    1.107 km
* Cálculos adicionaram a distância na viajem para os jogos como mandante na Arena de Pernambuco

Elenco

Valores das folhas salariais dos clubes intermediários
Salgueiro    R$ 150 mil
Vitória    Fr 120 mil
América    R$ 100 mil
Central    F$ 100 mil
Afogados    R$ 70 mil
Belo Jardim    R$ 60 mil
Flamengo    R$ 60 mil
Pesqueira    R$ 56 mil

Regulamento

Primeira Fase
Todos os clubes se enfrentam em turno único com uma equipe folgando a cada rodada. Os oito primeiros colocados avançam para o mata-mata.

Quartas de final
Em jogo único, as oito equipes duelam por vaga nas semifinais, com os quatro primeiros da fase anterior decidindo em casa. Em caso de empate, o vencedor sairá através da disputa de pênaltis.

Semifinal
Novamente em jogo único, com chance de penalidades, decidirá em casa o time que somar maior pontuação na 1ª fase.

Final
Jogos de ida e volta. Em caso de igualdade nos pontos e no saldo, sem gol qualificado, a taça será disputada nos pênaltis. A decisão de terceiro lugar será em jogo único.

Premiações

As vagas que o PE2018 dará  na próxima temporada

Copa do Nordeste
Apenas o Campeão (as outras duas são definidas via ranking da CBF)

Copa do BRASIL
Campeão, vice e terceiro colocado

SÉRIE D
Os três melhores colocados (exceto o Trio de Ferro e o Salgueiro)
 
BELO JARDIM  
Esquente para a Série D


Traçando metas a longo prazo, mas sem abrir mão dos objetivos mais imediatos. É assim que o Belo Jardim se preparou para 2018. O Calango busca consolidação como uma das forças do futebol no interior e sonha em se firmar no cenário nacional. O primeiro passo foi dado em 2017, quando ganhou o direito de disputar a Série D pela primeira vez. Porém, o clube não se deixa levar pela empolgação e entende que, antes, é preciso ganhar forças no cenário local, começando pela permanência na elite do Pernambucano. O Belo Jardim terá uma temporada atípica pela frente, com mais tempo de atividade para o elenco profissional. A diretoria precisou se lançar ao mercado para captar um investimento maior. Os destaques da equipe são o goleiro Andrey e o volante Junior, que ficaram do ano passado, além do zagueiro Danilo Cirqueira, ex-Santa Cruz e do meia Kelvis, contratado junto ao Guarany de Sobral.
 
AFOGADOS DA INGAZEIRA  
Caçula quer fazer bonito


O Afogados da Ingazeira se prepara para a sua segunda participação na elite do Estadual. Profissionalizado em 2014, o time sonha em chegar ainda mais longe que no ano passado, em sua estreia na primeira divisão, quando por muito pouco não conseguiu a vaga para disputar o Brasileiro da Série D. Terminou o campeonato no segundo lugar do Hexagonal da Permanência, somando a mesma pontuação do líder Flamengo de Arcoverde. Só não ficou com o título simbólico e a inédita vaga no nacional pelos critérios de desempate.

Mesmo mantendo os pés no chão ao apontar a briga contra o rebaixamento como o principal objetivo, a Coruja não esconde a empolgação de querer chegar ainda mais longe. O elenco conta com peças vindas do futebol alagoano, além da volta de jogadores que se destacaram na campanha do acesso do clube, em 2016. Destaque para o goleiro Evandrízio e o veterano meia-atacante Bebeto. O estádio Valdemar Viana, o Vianão, é um triunfo da equipe.
 
AMÉRICA   
Aposta maior nas divisões de base


Único clube centenário e campeão do estadual além do Trio de Ferro, o América atravessa por um processo de reformulação em sua identidade. Com suas maiores glórias conquistadas antes da profissionalização do futebol, vem adquirindo o conceito de investimento nas categorias de base e já começa a colher os primeiros frutos. Agora, com local próprio para treinamentos, planejamento financeiro e um treinador que conhece bem o futebol no estado, o Mequinha espera alcançar bons resultados também com o elenco principal.

O grupo recebeu uma mescla de atletas da base e contratações pontuais junto a outros clubes do estado. Do grupo que disputa a Copa São Paulo, entre cinco e sete atletas devem integrar a equipe. Entre os contratados, destaca-se o atacante Caxito, artilheiro da primeira fase do Estadual em 2017 pelo Afogados. O técnico Roberto de Jesus comanda o seu sétimo clube pernambucano.  
 
Flamengo    
Em busca de outro patamar

 
Sem medo de sonhar, o Flamengo de Arcoverde chega para disputar o PE2018 com grandes ambições. Apoiando-se em uma parceria com o Porto, de Caruaru, que cedeu jogadores, além do Centro de Treinamento e alojamentos, e inspirado pela vaga conquistada para representar Pernambuco na Série D do Brasileiro, o Tigre projeta um crescimento de patamar e alcançar o mesmo status de força do futebol do interior, espelhando-se no caso de sucesso do rival Salgueiro.

Em meio ao forte período de seca que castiga o interior do estado e, consequentemente, prejudica na manutenção dos gramados de futebol na região, o Flamengo ostenta com orgulho um piso de boa qualidade. Além disso, o estádio Áureo Bradley, que tem capacidade máxima para 3 mil torcedores, vem passando por reformas e adequações para acessibilidade a torcedores portadores de deficiência.  
 
Carcará vem reformulado
 
Principal força do interior do estado e referência para os demais intermediários, o Salgueiro viverá um ano de reformulação em 2018. Sempre apontado como um time entrosado, o Carcará perdeu 14 jogadores do último elenco. Muitos deles faziam parte da base estrutural que acompanhava o clube há cinco temporadas, no período de consolidação como a quarta força do futebol pernambucano. Em mais uma temporada de calendário cheio, com quatro competições a disputar, o intuito é construir mais uma equipe promissora, que venha a render um bom retorno financeiro, assim como a anterior.

Porém, nem todos os veteranos foram embora. Algumas lideranças como Marcos Tamandaré, Luciano e Mondragon permanecem na equipe. Servirão de alicerce para que os novos contratados possam absorver a filosofia do clube, assim como a volta do técnico Paulo Junior, que comandou a equipe em 2010. Adaptação que não deve ser uma tarefa fácil. “É difícil perder uma base de tanto tempo. Tivemos que fazer um elenco praticamente completo. Sem dúvidas, é a maior reformulação que o Salgueiro já enfrentou”, avalia Carlos José, diretor de futebol.

Mesmo em posição de destaque entre os intermediários, o Salgueiro enfrenta dificuldades iguais para manter suas atividades. Com problemas para captar grandes patrocínios e uma cota de televisão mínima no Estadual, o clube sobrevive praticamente das receitas da Copa do Nordeste e do Brasil – R$ 775 mil e R$ 500 mil, respectivamente nas fases iniciais. Valores suficientes para garantir ao menos oito meses de funcionamento do clube, que tem uma folha salarial girando em torno de R$ 150 mil. Se avançar de fase em ambas, mais R$ 1 mi será conquistado.
 
Central tenta se reinventar
 
O ano de 2017 foi difícil para o Central. O cenário encontrado pela nova diretoria foi de acúmulos de erros na gestão anterior e dívidas. Para reverter esse quadro, o planejamento traçado em 2018 utiliza novas ferramentas, como o investimento na marca própria de materiais esportivos, por exemplo, para pôr um fim aos débitos trabalhistas. O primeiro passo para alcançar a meta foi economizar no elenco, formado por atletas da base e outros já rodados no interior.

“Infelizmente, nos últimos anos, a situação do clube desandou. Hoje, boa parte da renda está penhorada e bloqueada na Justiça. Com aporte dos diretores e pequenos patrocinadores, estamos tentando acordos para liberar a receita presa. Já estancamos essa sangria”, explica o gerente de futebol Sivaldo Oliveira, antes de apontar um prazo para zerar a dívida. “Não é um débito muito alto, mas atrapalha muito. Até os próximos três anos, esperamos regularizar essa situação.”

Em curto prazo, o clube entende que não se pode abrir mão de uma boa campanha para permanecer disputando a Série D do Brasileiro e retornar à Copa do Brasil. A solução encontrada foi apostar no experiente técnico Mauro Fernandes, campeão estadual em 1998 pelo Sport.  “Eu não fui apenas campeão. Fui o campeão, porque foi um título invicto. Marcou a minha carreira”.