SUPERESPORTES

Diario esportivo

por Fred Figueiroa

Publicação: 13/01/2018 03:00

Aberta a temporada

Em ano de Copa do Mundo, o pesado calendário do futebol brasileiro acaba passando por um achatamento ainda maior, reduzindo pela metade o período que deveria ser dedicado a pré-temporada. Assim, a maioria dos clubes entram agora na reta final de preparação para os primeiros jogos oficiais de 2018. Do Recife, o Santa Cruz estreia na Copa do Nordeste terça-feira e o Sport no dia seguinte, no Estadual. Entre as exceções está o Náutico, que precisou acelerar ainda mais sua preparação para disputar a seletiva do regional, fazendo a primeira partida oficial no dia 8 de janeiro e a segunda neste sábado. Contrariando a lógica do processo de maturação de uma equipe, os dois primeiros duelos do ano - ida e volta contra o Itabaiana - já foram decisões. Resta saber qual o tamanho do dano que deixará para a temporada. Físico, moral, financeiro…

Rodízio de jogadores
Parte significativa desta resposta virá com a definição da vaga na fase de grupos da Copa do Nordeste. Se for derrotado ou empatar com gols neste sábado, na Arena de Pernambuco, o Náutico verá seu calendário ser encolhido em pelo menos seis partidas e - o maior prejuízo - o orçamento perder, no mínimo, R$ 500 mil (valor da cota para disputar o regional). Uma vitória no tempo normal ou nos pênaltis - caso a partida termine 0 a 0 - abre um pouco o horizonte alvirrubro em 2018, ainda que o coloque em uma maratona insana de jogos. Pela primeira impressão deixada segunda-feira, em Itabaiana, se o time titular jogou aquele futebol, preocupante imaginar o desempenho dos reservas quando acionados. E, pelo calendário definido, será quase obrigatório fazer um rodízio de jogadores. Para o Náutico, caso sobreviva no Nordestão, e - com situação já definida - para Santa Cruz e Salgueiro.

Os milhões da Copa do Brasil
O calendário deste ano traz algumas características peculiares. A mais marcante é a quantidade de jogos decisivos (e com premiação significativa) já no primeiro mês de trabalho. Além da seletiva do Náutico no regional, os quatro principais clubes de Pernambuco farão a estreia na Copa do Brasil - em jogo único, fora de casa e com a vantagem do empate - na última semana de janeiro ou primeira de fevereiro. Para o Sport, a classificação vale R$ 1,2 milhão. Para os demais, R$ 600 mil. Dia 31, entram em campo Santa Cruz e Náutico - que enfrentam Fluminense de Feira de Santana/BA e Cordino/MA, respectivamente. Em tese, pela história, seriam jogos relativamente tranquilos. Mas depois da atuação alvirrubra diante do Itabaiana, mais seguro tratar como partidas com um grau de dificuldade moderado. Existem poucas referências sobre os adversários. O Fluminense fez dois amistosos com o Itabaiana e ambos foram 0 a 0. O Cordino foi eliminado pelo Treze na seletiva do Nordestão, empatando por 1 a 1 no Maranhão e perdendo por 1 a 0 na Paraíba. Ou seja, é factível considerar o avanço dos dois clubes do Recife. Se isso acontecer, eles se enfrentam no dia 21 de fevereiro, em jogo único, no Arruda - valendo R$ 1,4 milhão.  O Sport, por sua vez, faz sua estreia no dia 7 de fevereiro diante do Santos, no Amapá. Aí sim, com obrigação absoluta de classificação.

Copa do Nordeste
Outro fato novo da temporada é o “enforcamento” de datas da Copa do Nordeste que acabou fatiando a competição - o que, inclusive, mina um pouco sua essência e seu atrativo. A 1ª rodada será semana que vem e a final só em 10 de julho - mesmo dia em que acontecerá uma das semifinais da Copa do Mundo. Os elencos mudam muito até lá e, com o prazo de inscrições encerrando muito antes, há o risco de equipes “frankenstein” disputando as partidas finais. Além do fato da perda de foco. As quartas de final acontecem em maio, as semis em junho e a decisão em julho. O fato de não ter mais transmissão da Globo na TV aberta também coloca em xeque o alcance que esta edição do Nordestão terá. Se sobreviver a todos esses obstáculos - que não foram impostos por acaso e estão relacionados também com a saída do Sport da competição - a Copa do Nordeste terá dado sua prova de força definitiva.

Estadual
Com um formato de disputa incomparavelmente melhor que o dos anos anteriores, o Pernambucano tornou-se o único título que pode ser conquistado no primeiro semestre. A tendência é que haja uma primeira fase arrastada - com oito de onze clubes se classificando - e a partir daí um ganho de emoção e atenção do público com uma série de jogos mata-mata. As quartas e as semifinais serão disputadas em jogo único, na casa do time de melhor campanha (o que pode animar um pouco a 1ª fase). Só a decisão terá ida e volta. O que pesa muito contra é a cota ridícula que os clubes recebem para disputar a competição. Os grandes do Recife faturam em torno de R$ 1 milhão cada. E não há premiação para o campeão. As cotas somadas ficam abaixo do que recebe a modesta Linense para disputar o Paulistão ou o Madureira para jogar o Carioca. Um absurdo que, ao menos, acaba este ano - quando o atual contrato com a TV Globo será encerrado. A tendência que a cota ao menos triplique a partir de 2019.