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Diario esportivo

Fred Figueiroa
Twitter: @fredfigueiroa
fredfigueiroa@gmail.com

Publicação: 09/02/2018 03:00

Derrota para digerir

Por mais que tenha sido uma ducha de água fria - e deixado um cenário complicadíssimo para o Náutico na Copa do Nordeste - a derrota para o Botafogo/PB deve ser digerida com naturalidade. Parte de um processo complicado em que o clube alvirrubro está inserido e que não será revertido “da noite para o dia”. Os objetivos alcançados até aqui e as boas vitórias sobre Sport e Salgueiro (em um duelo de reservas) não podem distanciar o Náutico do seu foco e da linha racional de trabalho. O que há de concreto, neste momento, é que o time de Roberto Fernandes conseguiu apagar a péssima impressão deixada nos três primeiros jogos da temporada (empates contra Itabaiana e Altos). Aquela equipe extremamente limitada tecnicamente se revelou competitiva dentro do seu nível e estágio de evolução, com alternativas de jogo e até inesperados potenciais técnicos individuais.  

Um passo de cada vez
Mas o Náutico não virou um grande time. Nem um bom time. Ao menos, ainda não. E isso ficou claro ontem em João Pessoa. Mesmo abrindo o placar aos cinco minutos - em uma jogada com méritos individuais de Medina no cruzamento e Wallace Pernambucano no cabeceio preciso - o Timbu acabou cedendo a virada em duas cobranças de escanteio. A segunda, que resultou em um gol olímpico do experiente Marcos Aurélio, fica marcada pela falha infantil do goleiro Bruno, que substituirá Jefferson por cerca de um mês. Porém, ainda que os gols sofridos tenham se originado em bolas paradas, é um fato que o Náutico não conseguiu ter consistência ofensiva em momento algum da partida. Nada muito diferente do Botafogo. Adversário no grupo da Copa do Nordeste e também na Série C. O que reforça a análise de que o time de Roberto Fernandes passou de “improdutivo” para competitivo. Já é um passo enorme para tão pouco tempo de trabalho a partir de um investimento mínimo. Menor que o do rival paraibano, inclusive.

Por um fio
Também de bola parada, o Náutico poderia ter arrancado um empate no Almeidão. Duas cobranças de falta tocaram no travessão. A primeira com Wallace e a segunda com Cal Rodrigues. Para a avaliação da equipe, os lances não interferem em quase nada. Mas para a situação na Copa do Nordeste, o peso foi imenso. O empate era estratégico para os alvirrubros. Não chegaria a ser um bom resultado, mas ao menos evitaria o cenário agora estabelecido - onde o Botafogo lidera a chave com seis pontos - cinco a mais que o Náutico. O mais grave é que o time paraibano vai para duas partidas contra o Altos/PI, enquanto o Timbu terá que encarar o Bahia duas vezes. Uma composição de tabela que pode acabar definindo o grupo com até duas rodadas de antecedência. Bastaria uma vitória do Botafogo e duas do Bahia. O que considero resultados absolutamente normais. Esperados, diria.

Redirecionando...
Tão importante quanto digerir a derrota - e mesmo uma eventual eliminação do regional - com naturalidade, é entender as nuances do calendário de 2018. A Copa do Nordeste está fragmentada, com os jogos separados por longos períodos e que ficarão ainda maiores ao fim da primeira fase, dividindo datas com o Campeonato Brasileiro. Por isso é preciso arquivar o que aconteceu ontem rapidamente e direcionar todo o foco para o jogo da próxima quarta-feira contra o Fluminense de Feira de Santana pela Copa do Brasil. Duelo que vale R$ 1,4 milhão e que colocará o vencedor na terceira fase diante do Cuiabá ou da Aparecidense em um degrau que valerá mais R$ 1,8 milhão. Essas premiações são suficientes para transformar o perfil técnico do Náutico. As classificações são factíveis, mas não fáceis. A partida da próxima quarta terá um desenho muito parecido com a de ontem. E Roberto precisa tirar algumas lições.

Plano A
Ao apostar em Rafael Assis e Robinho para iniciar o jogo contra o Botafogo, o treinador claramente queria replicar o que se viu no segundo tempo diante do Salgueiro. Compreensível até para testar uma nova alternativa de armar sua força máxima. Porém, quarta que vem, não cabe qualquer teste. A melhor forma de enfrentar o Fluminense baiano será com uma postura tática semelhante a do clássico contra o Sport. Um time mais fechado, com linhas defensivas mais próximas e apostando nos erros do rival, que faz uma boa temporada e entrará em campo determinado a resolver no tempo normal. A “sede ao pote” do Flu pode ser bem utilizada pelos alvirrubros.