Diario esportivo

por Fred Figueiroa
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Publicação: 14/03/2018 03:00

A grande noite

O primeiro trimestre entra em seu funil com uma noite crucial para os caminhos dos três clubes do Recife na temporada. Pela Copa do Brasil, em Cuiabá, o Náutico defende o resultado construído em casa (2 a 1) para garantir sua terceira classificação consecutiva, somar mais R$ 1,8 milhão em cotas e ficar entre os dez clubes “finalista” desta primeira etapa da competição - já que o formato define que apenas cinco equipes se juntam às 11 pré-clássificadas nas oitavas de final. Na Ilha, Sport e Santa Cruz repetem o clássico da semana passada, agora em caráter decisivo. Os dois rivais foram “punidos” por campanhas ruins na 1ª fase e terão que se enfrentar ainda nas quartas de final do Estadual. Um duelo mais aberto do que se previa no início do ano e com níveis de pressão bem diferentes para os dois lados.

O pleno favoritismo
Com um desempenho acima do esperado na temporada, o Náutico passa a encarar a outra face das decisões: A de entrar em campo como pleno favorito. Tudo bem que nas classificações anteriores - seja na Copa do Brasil ou do Nordeste - o clube Alvirrubro foi sempre o de “maior camisa” nos confrontos. Maior que a do Itabaiana, do Cordino e do Fluminense de Feira Santana. Mas, essencialmente no futebol, não se previa superioridade do time de Roberto Fernandes. E nem houve, inclusive. As vagas foram conquistadas com mais entrega que qualidade: Disputa de pênaltis cheia de reviravoltas diante do Itabaiana (depois de dois empates em 0 a 0); gol de empate no finalzinho do jogo contra o Cordino no Maranhão; e vitória mínima sustentada sob enorme pressão em Feira de Santana. Mas cada um desses jogos foi moldando a face alvirrubra em 2018. E trazendo injeções financeiras que permitiram a qualificação do elenco. O Náutico de hoje é mais estável, mais confiante e mais forte tecnicamente que os jogos aqui lembrados. É efetivamente superior ao Cuiabá. E ainda tem a série desenhada no seu molde ideal: Com a vantagem, o time de Fernandes pode atuar de forma mais defensiva, esperando o erro do adversário. Uma lição já bem assimilada pelos alvirrubros. Para completar, o STJD interditou a Arena Pantanal e o jogo será sem público. Mais neutro impossível.

Teoria sem prática
Se o Náutico pode ser definido como “pleno favorito” contra o Cuiabá, o termo já não se aplica ao Sport diante do Santa Cruz. A lógica era que se aplicasse. Mas a margem de favoritismo do Leão foi sendo reduzida com as atuações instáveis e essencialmente mornas da equipe rubro-negra em 2018. A eliminação para o Ferroviário/CE na Copa do Brasil depois de abrir 3 a 0 e o próprio empate com o rival uma semana atrás são os jogos que servem como referência para o duelo de hoje. Nas duas partidas, o time de Nelsinho Baptista até teve momentos de encaixe e de poder de criação de jogadas - mas foi disperso. Por isso, os empates. Por isso é difícil imaginar algo muito diferente esta noite. Ainda que se identifique sinais de evolução nas últimas atuações. O Sport se tornou um pouco mais coordenado entre os setores e mais lúcido nas ações ofensivas. Esbarra, entretanto, na falta de qualidade do ataque. A dupla Índio e Leandro Pereira, que começou o clássico passado, não consegue produzir nada efetivo. É possível, inclusive, que ambos comecem entre os reservas - com Thomás e Rogério assumindo suas posições. O que, aliás, considero a melhor alternativa.

Contra a lógica
Com o Sport visivelmente vulnerável, o Santa Cruz se fortalece em termos de confiança para o clássico. O empate da semana passada serve como parâmetro - ainda que o time tenha permitido ao rival criar chances reais de gol. Porém o técnico Júnior Rocha trabalha a série de dez jogos de invencibilidade como fator positivo e motivacional. Mesmo sendo seis empates e apenas quatro vitórias, o fato é que o time parou de ser derrotado. Ganhou corpo. E, longe de ser um exemplo de encaixe ou de ter um amplo potencial técnico, o Tricolor tornou-se competitivo. Os dois duelos diante do CRB são o melhor exemplo. O segundo, no último sábado, com um time quase todo reserva. Ou seja, esqueça aquele Santa frágil e exposto das primeiras partidas do ano. É página virada. A equipe evoluiu. Lentamente, é verdade, mas evoluiu. Não o suficiente para ser considerada favorita esta noite. Mas ao menos para se identificar brechas na partida que podem colocar o jogo nos trilhos ideais para o Santa Cruz. Cada minuto que passar com o placar em 0 a 0 aumentará a pressão sobre o rival. Uma eliminação para o Sport tem efeito devastador - deixando o clube com um mês de inatividade. Do lado tricolor, uma eventual queda no Estadual não tira o trabalho do seu eixo. Salvo uma goleada - que dificilmente acontecerá - o Santa cairá de pé dentro do seu contexto. Afinal, ainda que seja um clássico, é também o duelo de um clube de Série A contra um de Série C. E na casa do adversário. A lógica obriga o Sport a vencer. E não poderia ser haver um cenário melhor para o time do Arruda.