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Diario esportivo

por Fred Figueiroa
Twitter: @fredfigueiroa
fredfigueiroa@gmail.com

Publicação: 16/05/2018 09:00

O Nordeste dividido

A Liga do Nordeste realizou ontem, no Recife, uma reunião que, em tese, deveria ter sido decisiva para o futuro da competição regional. Deveria, mas não foi. Poucas horas depois do encontro e quando já circulava pela internet as notícias sobre o detalhamento da edição 2019, as contundentes declarações do presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, ao jornal Correio, de Salvador, caíram como uma bomba na tentativa de reestruturação do torneio. “As críticas principais que faço à competição, de não ser atraente e rentável, permanecerão em 2019. Era para ser uma transição para um modelo mais atraente. Quando a gente não discute nada, fica só adiando a conversa, fica difícil definir a própria participação do Bahia em 2019. Vou levar ao Conselho Deliberativo essa discussão”, afirmou Bellintanti em entrevista ao jornalista Victor Villar.

O poder do Bahia
O descontentamento do Bahia em relação ao futuro da Copa do Nordeste segue cada vez mais claro. O tom soa cada vez mais elevado. O presidente do Tricolor antes evitava falar em rompimento. Focava na reformulação da competição. Agora, mesmo depois de conquistar alguns avanços do interesse dos maiores clubes da região, Bellintani já coloca em xeque a presença do Bahia em 2019. E ele sabe que tem uma carta decisiva em mãos. Sem Bahia, sem Sport - e sem a TV Globo - o Nordestão implode de vez. O dirigente sabe que tem poder de interferir diretamente nos rumos que estão sendo tomados pela Liga, comandada por Alexi Portela.

O dano de 2018
Os dois lados não falam mais a mesma língua. E a reunião de ontem acabou sendo um tiro pela culatra na tentativa de realinhar os interesses. “A Copa do Nordeste está sem futuro, sem definição. Estão discutindo o que vai acontecer em 2019 sem pensar no todo. O que o Bahia está propondo é construir uma nova competição, e não a destruição desta. Queremos mudar a Copa do Nordeste antes que ela acabe por desinteresse do público”, disparou Guilherme. Ele coloca o dedo na ferida e expõe o quanto a competição deste ano afundou e o quanto esses passos atrás podem ser danosos para as próximas temporadas. O fato é que a solução de calendário encontrada para 2018 foi terrível, deixando os jogos e as fases muito distantes e minando o interesse do grande público. Talvez com o suporte da TV Globo fosse possível contornar esse fatiamento. Mas sem a maior emissora do país, os jogos têm passado quase despercebidos, com públicos pífios mesmo nas quartas de final.

De mãos atadas
À distância, o Sport assiste à movimentação do Bahia com pleno interesse. Sabe que uma nova deserção fortalece o projeto - até aqui duplamente fracassado - de construir uma nova competição regional com o apoio direto da Rede Globo. De toda forma, fica claro o quanto o clube rubro-negro foi precipitado em reafirmar sua desistência da competição. De fora também de 2019, ficou com um poder de articulação muito menor que o do Bahia, já que não tem base, contrapartida. Até o CSA tem utilizado sua vaga como forma de pressão. Descontente com o novo sistema de divisão das cotas - que privilegia os maiores da região - ameaça utilizar o Sub 20 em 2019. Algo que o Sport poderia ter feito, mas o presidente do clube, Arnaldo Barros, optou por seguir com uma postura radical e, até aqui, prejudicial ao próprio clube.

O modelo aprovado
Apesar da contrariedade do Bahia, a reunião aprovou o novo formato com 16 equipes divididas em dois grupos de oito. Os confrontos da 1ª fase serão entre um grupo e outro. Os times rivais do mesmo estado ficarão em grupos diferentes. Assim, os clássicos estão garantidos já na 1ª fase. Quatro times avançam para as quartas de final em cada grupo. Por contar com apenas 12 datas, a Copa do Nordeste de 2019 terá os jogos únicos nas quartas de final e nas semifinais, na casa do time de melhor campanha.