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Como andam as nossas rodovias? O Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) está ouvindo no estado os motoristas que trafegam pelas BRs 232, 101 e 116

Rosália Vasconcelos
rosalia.vasconcelos@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 17/07/2017 03:00

O sucateamento das rodovias brasileiras é resultado, em grande parte, da falta de planejamento rodoviário a longo prazo. Na tentativa de retomar esse trabalho, o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) tem realizado uma Pesquisa de Origem e Destino (POD), que foi dividida em quatro etapas. A terceira aconteceu na primeira semana deste mês de julho. Em Pernambuco, foram ouvidos motoristas que trafegavam pelas BRs 232, 101 e 116. A última etapa acontecerá em novembro deste ano, quando o órgão terá um diagnóstico mais preciso de como se comporta o tráfego nas rodovias federais.

Nesta etapa, foram entrevistados 521 mil condutores em todo país durante sete dias, sendo 25 mil em Pernambuco. Através de questionário, foi feita uma apuração socioeconômica das viagens, a origem e o destino dos motoristas, o tipo de carroceria, ano de fabricação do veículo, número de passageiros, tipo de combustível, motivo de escolha da rota, motivo de viagem e carga transportada, entre outras informações. O motorista do veículo também pôde sugerir, dentro da rota seguida, os melhores municípios para a criação de um local de parada obrigatória de descanso. As duas primeiras etapas da POD foram realizadas no ano passado, em julho e novembro, respectivamente.

“Esse trabalho é muito positivo porque resgata uma coisa que se deixou de fazer no Brasil que é a de planejar. Não temos planos rodoviários. O país não tem planejamento para as estradas. E se não for feita a recuperação das estradas, a infraestrutura que temos vai se acabar”, opinou o professor de engenharia civil da UFPE e da Unicap, Maurício Pina.

A Pesquisa de Origem e Destino é uma das frentes do Plano Nacional de Contagem de Tráfego (PNCT), lançado em 2014. Além da POD, estão sendo realizadas contagens através de sensores, dispostos em 320 pontos das estradas federais. Eles coletam informações 24 horas nos 365 dias do ano.

A assessoria técnica é outra frente desse trabalho. “O tratamento dos dados colhidos está sendo feito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Já temos estimativa de tráfego de algumas rodovias federais a partir dessas coletas. E já estamos utilizando alguns dados para ações de manuntenção”, explicou o coordenador-geral de Planejamento e Programação de Investimentos do Dnit, André Nunes.

A pesquisa foi efetuada em 50 das 165 rodovias federais brasileiras. Em Pernambuco, os postos estavam localizados na BR-101, no trecho que passa pelo município de Ribeirão (Zona da Mata Sul), na BR-116 em Cabrobó (Sertão) e na BR-232, um na altura de Bezzeros (Agreste) e outro em Parnamirim (Sertão). Além de Pernambuco, mais 23 estados receberam a pesquisa, que foi voluntária.

“Esse trabalho é muito positivo porque resgata uma coisa que se deixou de fazer no Brasil que é a de planejar. Não temos planos rodoviários. O país não tem planejamento para as estradas. E se não for feita a recuperação das estradas, a infraestrutura que temos vai se acabar”,
Maurício Pina, Professor da UFPE