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Pela conquista de mais autonomia

Publicação: 12/08/2017 03:00

Se da porta de casa para dentro crianças e adolescentes com necessidades especiais encontram afeto e inclusão, do lado de fora nem sempre é assim. Mesmo que os pais ofereçam suporte para uma vida com menos barreiras, eles não conseguem interferir em todos os aspectos da vida do filho. E nem querem. O que os pais ouvidos pelo Diario revelaram que desejam que os filhos tenham autonomia. Segundo eles, o maior obstáculo para isso ainda é o preconceito.

Ver as pessoas com algum tipo de deficiência como incapazes é, de acordo com os pais, o principal impedimento na vida dos filhos. A audiodescritora, mestre em educação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coordenadora da VouVer Acessibilidade, Andreza Nóbrega, concorda e afirma que o verdadeiro significado de inclusão é ver o outro enquanto potência. “A pessoa com deficiência, em geral, encontra diversas barreiras. A primeira é a atitudinal, ou seja, encontrar pessoas que acreditam que elas não são capazes. Outro tipo de obstáculo muito presente é a barreira arquitetônica. O Recife não é uma cidade acessível, e as ações para inclusão ainda são poucas e muito pontuais”, diz.

Segundo a especialista, a cidade tem avançado em alguns aspectos em relação à acessibilidade comunicacional, isto é, em iniciativas que contenham recursos para possibilitar às pessoas com deficiência o acesso ao conteúdo de bens, produtos e equipamentos culturais.

“Uma área em que ainda somos tímidos é em relação aos nossos museus, por exemplo. Não temos um totalmente acessível na cidade”, afirma. “Chamar a atenção sobre a importância de olhar para o outro como ser potente de habilidade, sensibilidade e cognição deve ser um compromisso não só das famílias e do poder público, mas de todos nós”, completa Amanda.