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Confronto e tensão em protesto por moradia Manifestantes ligados a movimentos sociais interditaram vias do Recife e travaram o trânsito

Publicação: 12/10/2017 03:00

Diante de um déficit habitacional de 263 mil moradias no estado, sendo 60 mil na Região Metropolitana do Recife, os movimentos sociais ligados à questão habitacional fizeram, ontem, protestos simultâneos na capital e em Caruaru, no Agreste, contra as mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida. Na visão dos grupos, as modificações dificultam o financiamento para as famílias com renda mensal bruta de zero a três salários mínimos. O protesto interditou vias, gerou muitos problemas no trânsito do Centro e das zonas Norte e Sul, e terminou em confronto entre os manifestantes e policiais do Batalhão de Choque depois que um policial foi atingido por uma pedra. A Polícia Militar lamentou o que classificou como ato de vandalismo.

A estratégia usada pelas entidades ligadas ao Fórum de Reforma Urbana, Frente de Resistência Urbana, Movimento Nacional da Luta pela Moradia e Movimento dos Trabalhadores Sem Teto foi a interdição de importantes corredores de tráfego em pleno horário de pico. Os manifestantes atearam fogo em pneus e madeira e fecharam o tráfego nas avenidas Cruz Cabugá e Norte e no entorno do Cais de Santa Rita, na área central do Recife, onde fica um dos principais terminais de ônibus das linhas que trafegam pelas zonas Sul, Norte e Centro. O fechamento das vias trouxe impactos em vários pontos da cidade e elas só foram desobstruídas com a intervenção dos Bombeiros e da Polícia Militar no fim da manhã.

Com faixas, carro de som, sinalizador e palavras de ordem, a marcha se reuniu na Praça Treze de Maio e de lá seguiu para o Palácio do Campo das Princesas. A assistente social e integrante da União Estadual por Moradia Popular, Rhaynara Affonso, 27 anos, explicou que o ato foi resultado da união de diversos movimentos nacionais. “Viemos lutar pela moradia, mas também por todos os direitos sociais que estão sofrendo um desmonte nas políticas públicas”, disse.

Nas imediações do Palácio, os manifestantes foram recebidos pelo Batalhão de Choque e houve confronto com os policiais. Foram usados gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha. A primeira bomba de gás foi disparada após um policial ser atingido com uma pedra atirada por um dos manifestantes.

A agricultora Maria Alessandra Souza, 37 anos, grávida de seis meses, inalou o gás lacrimogêneo. Devido a uma queda de pressão, desmaiou e foi socorrida pelos próprios manifestantes. “Só lembro que estava no meio do tumulto, era muita correria. Estou aqui desde às 7h e não esperava essa reação da polícia. Quando vi, já estava no chão”, relatou. O pedreiro José Genival Eustáquio, 58, diz ter sido vítima da agressão. “Estávamos nos aproximando para tentar ser recebidos pelo governador e fui atingido nos olhos pelo spray de pimenta”.