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Diario urbano

por Jailson da Paz
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Publicação: 07/12/2017 03:00

Batalha Naval

Começou sob polêmica e vai continuar assim o projeto urbanístico da Vila Naval. O novo capítulo veio com o pedido de nulidade, junto à Justiça, do Plano Específico Santo Amaro Norte, apresentado em audiência pública pela Prefeitura do Recife em agosto deste ano. Pede o Ministério Público de Pernambuco, em caráter liminar, que um novo plano para a área somente valha após debate prévio com a população e a apresentação dos estudos exigidos pelas leis ambientais. Logo, se acatada a solicitação dos promotores Bettina Guedes e Ricardo Coelho pela Justiça, o cronograma do projeto tende a se perder de vista. É briga demorada e das boas para a cidade, partindo-se do princípio que uma cidade se constrói efetivamente quando a disputa de ideias ocorre aberta, sem travas. Afinal, projetos do tipo impactam além do seu lugar físico. No caso, mexerá com Santo Amaro e terá reflexos nos bairros vizinhos. E o Recife é pródigo em mostrar que mudanças urbanísticas sem debates profundos podem levá-las a dar com os burros n’água. Tem exemplo melhor do que a “modernização” de São José e Santo Antônio? Duvido. Casas, igrejas, ruas inteiras foram ao chão para dar espaço ao vazio atual de moradores em dois dos bairros, histórico e economicamente, mais importantes do Recife. Paciência, então.

Tranca quebrada
Bastaria o fato de a caixa de correspondência, na esquina da Avenida Marquês de Olinda, ser um dos objetos mais fotografados por turistas no Bairro do Recife para os Correios colocarem uma tranca no fundo da peça. Se isso não pesar, a empresa poderia ao menos reparar o valor histórico da caixa, cujo fundo está solto há meses.

Sol na moleira
Um telhado ou algo parecido faz falta no ponto de ônibus da Rua Padre Carapuceiro, entre as avenidas Domingos Ferreira e Conselheiro Aguiar, em Boa Viagem. Nas horas de sol, os passageiros se desmancham em suor. É calor vindo de todo lado. Do asfalto da rua e da calçada e do muro, de mais de dois metros de altura, do prédio em que fica a parada.

Natal reciclado
Em nome da crise, as cores natalinas sumiram das praças recifenses. A do Entroncamento, nas Graças, tradicionalmente decorada pela iniciativa privada, não recebeu uma lâmpada até agora. Exceção é a do Rosarinho, onde um projeto do Colégio Fazer Crescer, adotante da praça, utilizou 600 calotas de automóveis e objetos feitos de garrafa PET na decoração.

Corredor eletrônico
Tem sentido o nome de “paredão” dado às calçadas da Avenida Conde da Boa Vista, nas proximidades da Rua Gervásio Pires, Centro do Recife. Ninguém consegue descer da calçada para a pista ao longo de uns 50 metros, pois existe um muro de expositores de acessórios e equipamentos eletrônicos. Encontra-se de fones de ouvido a rádios.

Título assegurado
Por metro quadrado, dificilmente as estações de BRT, qualquer que seja o corredor, perdem o título de detentoras de maior concentração de ambulantes. Na estação em frente à Praça General Carlos Pinto, em Santo Amaro, um leitor da coluna contou seis, no começo da tarde, em um espaço de oito ou dez metros quadrados. É a lei da sobrevivência.

Melhor prevenir
Em cinco dias, a Celpe removeu 50 ligações clandestinas na Festa do Morro da Conceição. Agiu de olho em prejuízos financeiros, mas empregou bem o velho método “melhor prevenir do que remediar”. Para assegurar a renda, ambulantes recorrem às gambiarras, colocando em risco as próprias vidas e a dos devotos da Virgem da Conceição.