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CARNAVAL 2018 » Tradição que se renova após 45 anos Admirado por foliões de todas as idades, Bloco da Saudade homenageia o carnaval de Olinda em 2018

Publicação: 13/01/2018 03:00

O Bloco da Saudade chega ao 45º carnaval com o espírito jovem. A agremiação, que nasceu para relembrar as antigas festas de Momo, já se tornou uma das principais tradições da folia pernambucana. Atraindo gente de todas as idades, o bloco se renova e mantém o pique para encarar a maratona das prévias e dos dias de folia.

Com 150 integrantes, sendo 120 fantasiados e 30 músicos, a agremiação mais saudosista do carnaval recifense vai homenagear Olinda na folia de 2018. As fantasias serão inspiradas nas paisagens históricas. Igrejas, coqueiros e as bicas da Cidade Alta vão colorir os vestidos das integrantes. Os homens se fantasiarão de acendedores de lampião. Figuras como Duarte Coelho, fundador da cidade patrimônio, e sua esposa Brites de Albuquerque, também serão homenageados.

A Marim dos Caetés será celebrada ainda nos adereços e no flabelo de cores azul, branco e encarnado. O farol, cartão-postal da cidade, também foi transformado em fantasia pelo carnavalesco Carlos Ivan de Melo. No domingo momesco, às 16h, o bloco vai desfilar pelas ruas de Olinda, com saída do Alto da Sé. O Largo do Guadalupe foi escolhido como ponto final, onde haverá um baile. “Nos anos 1970, 1980, também saíamos de lá. É uma alegria poder voltar a fazer esse desfile. As pessoas estão animadas e estamos com boas expectativas”, ressalta a presidente do bloco, Izabel Bezerra.

Integrante mais novo a desfilar em 2017, o estudante Rafael Pessoa, oito anos, representa a renovação do grupo. É fã do Bloco da Saudade desde os quatro anos. “Minha avó estava ouvindo Último regresso, de Getulio Cavalcanti, e perguntei a ela onde aprendeu a música. Ela disse que foi no Bloco da Saudade. Pesquisei na internet e quis fazer parte”, conta Rafael. O menino é tão apaixonado pelo “encarnado, branco e azul” que ganhou uma festa de aniversário cujo tema era Bloco da Saudade.

O carnaval dos “tempos ideais”, como previa o compositor Edgard Moraes, cujo frevo Valores do passado inspirou a criação do bloco, continua vivo. “Eu amo desfilar pelo Bloco da Saudade. Agora já tem duas crianças mais novas que eu para o carnaval deste ano”, diz Rafael, chamado de Rafa pelos integrantes da agremiação. Idealizado em 1962 por Edgard Moraes, o bloco chegou às ruas do Cordeiro, Zona Oeste do Recife, em 1974. O maestro Antônio José Madureira, o “Zoca”, e o jornalista Marcelo Varella deram vida ao sonho de Moraes ao trazer de volta o lirismo dos blocos de pau e corda.

O bloco promove cinco desfiles de rua por ano, nos carnavais de Olinda e Recife, sendo dois na semana pré-carnavalesca e três nos dias de folia. As saídas na quarta-feira prévia e na segunda de carnaval, da Praça Maciel Pinheiro, na capital, são as mais concorridas.

Manhã de sol
Neste domingo, o bloco promove sua 6ª Manhã de Sol, às 12h, na AABB Recife. Os ingressos custam R$ 30. informações pelos telefones 3117-6090 e 3117-6062.

História
  • 1974  O Bloco da Saudade sai pela primeira vez, em 24 de fevereiro (domingo) com objetivo de resgatar o carnaval de rua.
  • 1995  Lançamento do primeiro CD da agremiação, com o registro de sua marcha.
  • 1997  Recebe o título de Memória Viva do Recife, concedido pelo Museu da Cidade.
  • 2003  Para comemorar 30 anos de existência, o bloco lança um CD especial, com direção musical do maestro Bozó.
  • 2008  O bloco recebe a medalha Aloísio Magalhães, maior comenda de Olinda, outorgada pela Câmara de Vereadores da cidade.
  • 2009  É considerado Patrimônio Imaterial de Pernambuco por meio da Lei Estadual 13.757, de 29 de abril.
  • 2014  A agremiação recebe, ao completar 40 anos, a medalha Conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira pelo Tribunal Regional do Trabalho 6ª Região.
  • 2018  Em seu 45º carnaval, o bloco presta homenagem a Olinda. Pela primeira vez o bloco tem um cidade como tema.