A cidade precisa de transformações Plano Recife 500 Anos cria metas para o futuro da capital com base nos interesses comuns da população. Objetivos visam o quinto centenário em 2037

Publicação: 13/03/2018 03:00

Enquanto o Recife do presente completava 481 anos, a cidade do amanhã começou a ser edificada. Ontem, no dia da celebração do aniversário da capital, foi lançada a primeira versão da estratégia do Plano Recife 500 Anos, que pretende orientar um projeto de futuro com base nos interesses comuns da população. Construído com estudos técnicos e escuta de 3,5 mil cidadãos, o caderno propõe seis grandes transformações sintetizadas em três linhas de ação: reunir, reviver e reinventar. A população terá até 120 dias para avaliar, criticar e validar a estratégia.

Depois de quatro imersões na cidade, 18 reuniões com acadêmicos e 61 encontros com o poder público, a proposta sinalizou que o Recife requisitado pelos moradores para os próximos 20 anos precisa estar alinhado às necessidades culturais e tecnológicas do século 21, distribuir oportunidades, basear políticas em dados concretos, voltar a se relacionar com as águas, e priorizar a primeira infância e o deslocamento ativo integrado. Para isso, foram estabelecidos 17 caminhos estratégicos e 12 diretrizes, lançados em encontro no Porto Digital.

Para apresentar esses caminhos, foi traçada uma linha do tempo com marcos temporais práticos de 2018 a 2037. Entre as metas está elevar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), colocar internet em 100% das escolas, implantar 300km de rodas cicláveis, implantar corredores exclusivos para o transporte público em 80% das vias principais e reduzir o índice de homicídios de 52 para 27 por mil habitantes.

“Está viva entre os recifenses a necessidade de construir um ideal comum. Eles buscam um debate que se faça contemporâneo, mas que se converta em ação”, detalhou o diretor-executivo da Agência Recife para Inovação e Estratégia, que conduziu o processo, Guilherme Cavalcanti. Para isso, ele diz que o Recife tem dois tipos de desafios: a superação dos problemas históricos e a transformação a partir das demandas do futuro.

“A cidade duplicou a população entre os anos de 1950 e 1970, em um modelo de desenvolvimento desorganizado. A construção de um novo projeto não pode se dar a curto prazo. O segundo desafio é a capacidade do gestor de desenvolver instrumentos para orientar os investimentos e políticas públicas”, observou o secretário de Planejamento Urbano, Antônio Alexandre.

Somente para 2018, foram elencados 10 marcos na linha temporal de objetivos (leiainfográfico). “A mobilização da sociedade é fundamental. Muito depende da atuação da prefeitura, mas muito também depende da participação de cada um. Essa versão está aberta a críticas, observações, inclusões, para depoisa ter uma carteira de projetos conhecida por toda a sociedade”, destacou o prefeito geraldo Julio.

Todos os documentos gerados durante os três anos de debate estão disponíveis no www.recife500anos.org.br. O site também reúne vídeos e o próprio caderno. Serão realizadas novas reuniões e encontros com a sociedade civil. “A partir do momento que tivermos um documento final, na verdade, ele será inicial. Iremos fiscalizar para mantê-lo vivo nos próximos 20 anos e depois”, finalizou Cavalcanti. Um conselho será criado para acompanhar o desenvolvimento da estratégia.

Entenda

6 mudanças esperadas

Conectividade Universal

Tornar a cidade uma metrópole global preparada para as transformações culturais, tecnológicas e econômicas do século 21

Recife cidade viva
Distribuir oportunidades, serviços e infraestrutura a todos os cidadãos e fortalecer as capacidades dos bairros

Decisão informada
Basear estratégias, políticas públicas e investimentos em dados, coletados em tempo real e com co-criação popular

Recife cidade das águas
Devolver as águas do Recife aos recifenses, e fazê-las agir em seu favor, promovendo saúde, segurança e bem-estar

Cidade dos encontros
Promover encontros e conexões priorizando o deslocamento ativo integrado a espaços públicos, semipúblicos e privados

Primeiro a infância

Priorizar o direito à cidade, educação, saúde, segurança e lazer para todos, priorizando as crianças até seis anos de idade

Metas

2018

  • Traçar o diagnóstico do redesenho da rede de escolas públicas
  • Aprovar o Marco legal da primeira infância como lei
  • Aumentar em 20% a quantidade de voluntários ativos
  • Revisar, aprovar e publicar o plano diretor
  • Concluir o primeiro trecho da Via Parque
  • Intensificar ações de combate às arboviroses
  • Implantar mecanismos de combate ao preconceito
  • Ampliar os indicadores de monitoramento da cidade
  • Aumentar a quantidade de vias com controle de velocidade
  • Consolidar os programas de participação social
Até 2022
Disponibilizar 100% dos dados da prefeitura em formato aberto

Até 2023

Construir seis novas bibliotecas inclusivas com 10 mil títulos

Até 2024
10% das escolas adaptadas à circulação de deficientes

Até 2025
80% dos corredores principais com faixas exclusivas para ônibus

Até 2031
Primeira geração 100% albetizada e bem nutrida na idade certa
Recife entre as três capitais com maior turismo cultural do Brasil

Até 2035

100% de saneamento ambiental nas áreas de preservação

Até 2037
  • Elevar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) a 8,5 para o ensino fundamental I e 8 para o ensino fundamental II
  • Implantar 300km de rede ciclável complementar
  • Reduzir o déficit habitacional para menos de 5%
3 sínteses de engajamento
  1. Reunir a cidade para promover a inclusão e reduzir desigualdades
  2. Reviver a cidade, promovendo qualidade de vida e oportunidades, e distribuindo serviços e priorizando a primeira infância
  3. Reinventar a cidade para torná-la globalmente conectada, criando com o cidadão políticas públicas baseadas em dados